O Laboratório do Leporace (historinha dos bastidores do rádio)

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista em ritmo de Natal

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 21/10/2020
Horário 05:34

Vicente Leporace deixou sua marca no mundo, principalmente no rádio. Entre os anos 60 e até 1978, no século passado, ele apresentou "O Trabuco" na Rádio Bandeirantes.
Leporace comentava as notícias do dia publicadas pelos principais jornais do país. Além da voz cheia de charme e sedução, ele se destacava pela fina ironia e chistes brilhantes nos comentários.
Depois que o Leporace morreu, muitos tentaram imitá-lo, mas cadê o talento para preencher o espaço deixado por um radialista e jornalista brilhante? Leporace é insubstituível. Acho difícil aparecer outro que chegue pelo menos ao joelho dele.
Além de "O Trabuco", Leporace também apresentava o programa "Laboratório Musical" no qual analisava os discos recém-lançados pelos cantores, cantoras, grupos vocais, orquestras e por aí vai. Claro, comentava com grande ironia e conhecimento.
Se gostava de um disco, como um do cantor Wilson Simonal, colocava o artista nas alturas. Quando não gostava, dava "cacetadas", mas com uma certa elegância.
Quando o cantor Ronnie Cord gravou "Rua Augusta", que viria a se tornar um clássico do rock nacional, o Leporace caiu de pau. O autor era o compositor Hervé Cordovil, pai do cantor. "O Hervé, agora, virou tuistista", ironizou o apresentador.
Leporace também puxou as orelhas de ninguém menos do que Roberto Carlos. Pegou no pé do rei. Roberto tinha acabado de lançar "Parei na Contramão", um rock até ajeitadinho, mas o Leporace não gostou nem um pouco e lascou: "Parou na contramão? Merece ser multado. Chamem o guarda de trânsito". Como vocês perceberam, era um "laboratório de análises musicais" dirigido por um especialista, que entendia do riscado. 
Vicente Leporace também foi apresentador de um programa dominical na Televisão Bandeirantes, hoje Band. Ele reclamava de perseguição do Ibope, achava que o instituto de pesquisas não lhe fazia justiça sobre a audiência do programa. 
Na avaliação do apresentador, o programa tinha boa audiência em São Paulo. No livro "Na Terra do Crioulo Doido" ou "Febeapá 3" (Festival de Besteira que Assola o País), o Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) reservou um capítulo para falar das bobagens televisivas. Tem cada coisa do arco da moça.  
Mesmo não sendo analgésico, o humorista tomou as dores do apresentador. A seguir, reproduzo o trecho em que Stanislaw conta a encrenca do Leporace com o Ibope: “No domingo seguinte mostrou [Leporace] um cheque de um milhão de cruzeiros, logo que o programa começou e explicou que, segundo o Ibope, seu programa era visto por mais ou menos umas 20 mil pessoas. “Muito bem – prosseguiu – “se algum telespectador receber em sua casa ou conhecer algum “pesquisador” do Ibope, mande-o aqui com o seu respectivo cartão de identificação que este cheque de um milhão será dele. São 4 horas da tarde. Eu espero até as 7”. Até hoje não apareceu nenhum”. 

DROPS

Bolsonaro está cercado ao norte pela Venezuela, a oeste pela Bolívia e ao sul pela Argentina? Vai pedir ajuda aos marines?

Uma coisa o Brasil e o caranguejo têm em comum: ambos andam para trás.

E vamos em frente que atrás vêm os cabos eleitorais, que deveriam ser promovidos a sargentos eleitorais.

A propósito: a TV a cabo só vai melhorar quando virar TV a sargento. 
 

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