O público que esteve domingo na histórica primeira edição da Feicorte Run testemunhou muito mais do que uma celebração esportiva. Ao final da prova que teve largada e chegada no Prudenshopping, os presentes ouviram o relato contundente de um homem que está desafiando as fronteiras da ciência e da fisiologia humana: Alessandro Medeiros, 56 anos, niteroiense radicado na Flórida (EUA) e o atual campeão mundial de Ultraman na categoria 50/59 anos.
O Ultraman é uma das competições mais exaustivas do planeta, englobando 10 km de natação em mar aberto, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida ao longo de três dias no Havaí. A grande façanha de Alessandro, no entanto, vai além das distâncias: ele conquistou o título mundial completando a prova inteira 100% em jejum, consumindo exclusivamente água, sais minerais e eletrólitos.
"Provavelmente, muitos de vocês tomaram café da manhã ou usaram gel de carboidrato para correr cinco ou seis quilômetros aqui hoje. E eu falo para vocês uma grande verdade: não precisa disso", afirmou o atleta sob os aplausos da comunidade prudentina. Há seis anos ele vive sob a dieta carnívora, alimentando-se apenas de proteínas e gorduras de origem animal.
A CIÊNCIA POR TRÁS DA "ULTRANUTRIÇÃO"
Para os céticos da nutrição convencional, que preconiza o uso massivo de açúcar e carboidratos em esportes de endurance, a estratégia de Alessandro parece impossível. Contudo, o atleta explicou a matemática biológica que permitiu seu desempenho. Antes de embarcar para o mundial, exames clínicos apontaram que ele possuía 10% de gordura corporal. "Pelos nossos cálculos, esse percentual me garantia 80 mil calorias estocadas. Como eu gastava cerca de 10 mil calorias por dia de prova, o corpo tinha combustível mais do que suficiente guardado", revelou.
Em sua rotina de treinamentos preparatórios, Alessandro chegou a realizar jejuns diários de 24 horas durante três meses, quebrando o protocolo apenas à noite com jantares fartos de carne vermelha, complementados ocasionalmente por ovos e manteiga. Se não estivesse competindo em jejum restrito, seus alimentos na pista seriam caldo de ossos, fígado bovino desidratado, colostro e bacon.
O feito histórico não ficará restrito aos pódios; ele se tornará o segundo estudo de caso clínico documentado pela equipe do atleta, capitaneada por sua nutricionista esportiva, Letícia Moreira (coautora do livro "O Poder da Carne"). "Estamos coletando dados pré, durante e pós-competição para entregar a médicos e preparadores. Não existe nada parecido no mundo científico hoje. É uma descoberta fantástica de como o corpo funciona em altíssima performance sem carboidratos", relatou Alessandro.
ALTA PERFORMANCE PARA A VIDA DIÁRIA
O painel de debates montado no pós-prova da Feicorte Run contou ainda com intervenções importantes da nutricionista Letícia Moreira e do mediador Maurício Veloso, que expandiram o exemplo do ultramaratonista para o cotidiano do cidadão comum.
Letícia alertou para a importância de defender o consumo da carne, criticando movimentos de restrição proteica em ambientes escolares, como a 'Segunda Sem Carne'. "O esporte é agregador e o exemplo do Medeiros precisa chegar a todos, principalmente às crianças. A proteína animal é o que vai nos dar sustentação e saúde na velhice", defendeu a especialista.
Maurício corroborou a tese, lembrando que a mensagem central do evento transcende o esporte de elite. "O Alessandro é um cara extraordinário, mas a grande sacada aqui é que todos nós precisamos ser seres humanos de alta performance. Precisamos ser pais, mães, estudantes e profissionais de excelência. E a ultranutrição da carne bovina confere essa energia para a vida simples e comum. Ela não pode faltar na nossa dieta diária", concluiu.
Ao final do encontro, Alessandro Medeiros parabenizou a diretoria da Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne) pela iniciativa pioneira de unir esporte, saúde e a cadeia da carne