O salvamento 

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 27/01/2026
Horário 05:30

— Ô, mãe, deixa eu contar o que aconteceu na praia comigo. Eu estava surfando e de repente vi que havia alguém se afogando, um grito de desespero no meio da ressaca. O mar estava bem alto e mexido por causa do ciclone tropical que passou. Peguei o bodyboard e fui cumprir a missão que estava à minha frente. Sério, eu parecia uma fera solta. Onde será que a gente encontra essas forças? Acho q é do crossfit. A correnteza puxava, as ondas batiam, varriam tudo, mas eu tinha um objetivo e eu ia a cumprir, Mãe, do jeito que me ensinou. Cheguei perto e o homem já estava quase indo, os olhos virando, a força acabando. Ele subia e descia, subia de novo ofegante. E aí, do nada, enquanto eu puxava o cara surge uma sombra, uma barbatana cortando a água ao meu lado. Um tubarão, juro, mãe. Mas eu olhei pro bicho e falei baixinho: “Não hoje, não, meu parceiro. A luta hoje não é com você”. Acredita que ele deu meia-volta e foi embora? Aí agarrei a vítima, joguei por cima da prancha e remei com uma força que nem sabia que tinha. Sai na corrente de retorno mesmo, coisa que não é fácil porque puxa muito, mas era uma vida que dependia de mim. Daí, já na areia, ele chorando de alívio, me chamou de anjo. Foi coisa de cinema.

— Guilherme, mas foi assim mesmo? Tudo isso?

— Bom… na verdade, o mar tava batendo na cintura, o cara achou que tava afundando, e eu só falei: “Mano, fica em pé, olha aqui, o chão tá logo aí”. O resto foi para agitar o grupo da família!
 

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