O sonho é do sonhador

Sonhar é algo muito estimulante e fundamental durante toda uma vida. Refiro-me sobre o sonhar em estado de vigília. Diz o velho ditado: “Quem não chora não mama”. Penso também que, “quem não sonha, não vive”. Sonhar significa criar, planejar, organizar, projetar, seguir em direção a objetivos, propósitos, ideais ou projetos. Walt Disney pensou assim: “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade”. O sonho é do sonhador e não interessa a mais ninguém, são subjetivos e singulares onde muitos, não entenderão. 
Ulisses em “Odisseia”, sonhava em retornar a ilha de Ítaca para sua esposa Penélope. Levou dez anos esse seu retorno, após a guerra de Tróia, e enfrentou por causa de seu sonho, todos os monstros possíveis e impossíveis. Até as sereias em alto mar. Mas, seu sonho era maior que tudo. Ele realizou. O sonho de Penélope, sua esposa, era o de revê-lo e sonhava sua volta. De dia tecia seu bordado e, à noite, o desmanchava em função de seu sonho. Recusava casar, pois sonhava que Ulisses vivo estava. Tinha muitos pretendentes e já não conseguia mais dizer “não” para seu pai- rei. Ele queria que ela casasse novamente.  Seus sonhos a levava a intuir que Ulisses iria voltar para ela. E assim os sonhos de ambos se realizaram. 
Nascemos de um sonho a dois. A mãe nos sonha, nove meses. Com amor sonhamos a vida e na vida. Quando tudo inicia de uma forma contrária ao do sonho, tudo fica muito difícil e sem consistência. A capacidade de sonhar nasce do amor.  A sensação de desconforto de sempre achar que o outro é melhor do que a gente é um exemplo da incapacidade para sonhar. É preciso sonhar os seus próprios sonhos e é preciso conhecer a si próprio. 
Para se autoconhecer, é preciso se perder nos braços maternos. Desse encontro nascem os sonhos. A origem dos sonhos se dá em fases muito primitivas. Freud diz em seu artigo, “Inibições, sintomas e ansiedade”, que: “Há muito mais continuidade entre a vida intrauterina e a primeira infância do que a impressionante cesura do ato do nascimento nos teria feito acreditar” (1926). Tudo começa na vida intrauterina e segue para a infância. Se tudo caminhar de forma suficientemente boa, nossa continuidade de vida poderá ser um sonho, bem como suas realizações. O contrário, poderão desencadear em sintomas, ansiedade e inibições. 
Sonhar os sonhos dos outros é não ter a genuína identidade. Sonhar os sonhos do outro é frustração. É desrealização. E se durante o caminho da realização de um sonho, encontrar conflitos ou obstáculos, persista. Insista. Observara posteriormente, o quanto foi necessária a dificuldade. Sairá bem mais fortalecido. Vá em direção aos seus sonhos. Encontre-os no encontro consigo próprio. Se a dificuldade é grande pela capacidade em sonhar na vida e a vida, busque ajuda especializada e divida tudo aquilo que está provocando paralisações e engessamento psíquico. Poderá, a partir desse encontro, proporcionar liberdade para tantos outros sonhos aprisionados. 
 

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