Pandemia mudou preferência por casas ou apartamentos?

Delegado regional do Creci diz que em regra, não se notou mudança na escolha por quintais amplos ou apês depois da experiência com o isolamento social; ele elenca os motivos para isto

PRUDENTE - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 09/07/2020
Horário 08:04
Cedida - Fotografias do entardecer são remédio para a mente de Vinícius durante a quarentena  Foto: Cedida - Fotografias do entardecer são remédio para a mente de Vinícius durante a quarentena 

Não está fácil para ninguém! Com mais de três meses de isolamento social instaurado, e corretamente seguido, aquela sensação de clausura e aprisionamento vai crescendo entre todos. A dúvida que paira é: será que aqueles que vivem em apartamento e não dispõem de quintal amplo para tomar um ar e dar aquela respirada estão mais entediados que os demais? E mais: será que no mercado imobiliário, está nascendo uma tendência de preferência por casas com áreas externas espaçosas? 
Em busca de uma resposta, a reportagem entrou em contato com quatro personagens que entendem bem do assunto: o delegado regional do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Alberico Pasqualini; o proprietário da Kelly Imóveis, Ademir Videira, 60 anos; o gerente da Samburá Imóveis, Gabriel Zaupa Domingues, 33 anos; e o estudante que vive em um apartamento em Presidente Prudente, Vinicius Marini Coimbra, 20 anos.
Alberico afirma que esta tendência não existe e nem tem condições de ocorrer, visto a situação que casas e apartamentos possuem em Prudente. Em primeiro lugar, ele cita que a maior parte dos apartamentos na cidade é ocupada por proprietários, visto o alto custo que representaria o pagamento, além do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e condomínio, do aluguel. Muitos destes proprietários, ele explica, são idosos, que vivendo próximo do centro, possuem o conforto de poderem ir ao mercado, padaria, banco ou farmácia sem precisar de um veículo.
Em segundo lugar, Alberico pontua que já se prefere casas na capital do oeste paulista por um fator determinante: normalmente buscam-se residências em prédios, com temor em relação à segurança, mas, sobre isso, a região de Prudente se apresenta como a que detém a melhor segurança pública do Estado.
A terceira consideração diz respeito às casas antigas e modernas: as mais velhas e com maiores quintais necessitam de manutenção com custos elevados, as mais novas, porém, costumam não ter grandes quintais (até porque há a tendência de dividir terrenos para a construção de mais de um imóvel) e atendem às necessidades de casais que passam o dia todo ocupados no trabalho e com os filhos na escola.
A soma destes fatores indica, conforme Alberico, uma incidência irrisória de desejo por mudança da condição que vivem, ainda que sofram, nestes tempos, com o isolamento. “Existem os casos isolados, de pessoas que têm maior poder aquisitivo e depois da pandemia tenham desejo de investir em espaços maiores e que tenham condições de manter, mas são exceções, não entram na regra”, pontua o delegado do Creci. 
Ele cita ainda, algo que Prudente tem de melhor contra a sensação de clausura: o Parque do Povo. Segundo ele, escolhendo um horário com pouca gente e paramentado com máscaras, algumas horas de relaxamento no local podem fazer a diferença e está ao alcance de todos. 

“PELO FATO DA NOSSA FAMÍLIA RESPEITAR BASTANTE O ISOLAMENTO SOCIAL, NÓS ESTAMOS SAINDO O MÍNIMO POSSÍVEL, DESDE DE MARÇO QUANDO COMEÇOU TUDO ISSO, EU PRATICAMENTE NÃO SAÍ DE CASA”
Vinícius Marini Coimbra 

Gabriel, corroborando as falas de Alberico, afirma que ainda não sentiu uma preferência dos clientes pelas casas em detrimento aos apartamentos. O que ele percebeu de tendência é a busca, tanto em casas e apês, a busca por espaços com área gourmet, espaço para trabalhar remotamente e afins. 
Ademir, por sua vez, afirma que notou alguma tendência do tipo. Ele crê que a preferência por casa cresceu durante a pandemia, especialmente por quintais amplos que garantem satisfação às pessoas e qualidade de vida, especialmente entre aqueles que têm condições financeiras para isso. 

Vivendo no apê em quarentena

O estudante Vinícius Marini Coimbra, 20 anos, vive com os pais e irmã em um apartamento em Prudente. “Pelo fato da nossa família respeitar bastante o isolamento social, nós estamos saindo o mínimo possível, desde de março quando começou tudo isso, eu praticamente não saí de casa”, comenta. Por conta disso, ele afirma que o tédio se faz bastante presente nestes dias; a falta de dar uma volta, ir ao estágio, à faculdade e afins. 
Mesmo assim, ele afirma que não tem vontade de deixar de viver em apartamento, até porque, na maior parte de sua vida, viveu em um e, portanto, está acostumado com as sacadas e não sente falta de quintais. 
Vinícius, inclusive, tem um momento de paz e esperança que o mundo lhe dá. Morando no décimo andar, ele tem o prazer de, pelas janelas, acompanhar o belíssimo entardecer prudentino, evento que sempre faz questão de registrar com o próprio celular.

Fotos – Cedidas 

Vinicius sempre viveu em apartamento e, portanto, não sente falta de ter um quintal amplo 

Alberico Pasqualini fala que tendência só é observada em casos isolados 

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