Perda de peso: a curva é parabólica

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Num país com 55% dos adultos na faixa de sobrepeso (IMC > 25 Kg/m2), há milhões de pessoas preocupadas com esse excesso por questões de saúde ou estéticas. E há várias pessoas assumindo atitudes para resolver o problema, porém nem sempre com o entendimento de como acontece o processo da perda de peso.

Além da matemática

Suponha que você fará uma viagem de carro de 300 Km. Na velocidade de 100 Km/h, o tempo de chegada será de 3 h. Todos sabem que não existe viagem perfeita assim. Então suponha que você precisa perder 6 Kg de gordura, cada 1 Kg de gordura é igual a 9.000 Kcal, portanto o total é de 54.000 Kcal. Diminuindo o consumo em 1.000 Kcal/dia, levará exatos 54 dia para chegar ao peso desejado. Em geral, os processos metabólicos e fisiológicos são muito bem controlados, mas não com essa exatidão matemática.

Homeostase energética

Nosso corpo precisa de equilíbrio e estabilidade, por isso há sensores para detectar alterações e ativar os sistemas fisiológicos responsáveis pela correção ou por impedir que a condição fique ainda mais desequilibrada. Nosso estoque de energia na forma de gordura é monitorado e controlado pelo hipotálamo. Quando você consome muito ou consome pouco ele entra em ação, porém nem sempre consegue impedir o ganho ou perda de peso.

Choque

O processo de perda de peso pode ser divido em três fases identificadas pela sigla SAR, de “Shock, Adaptation and Resistance”. Na fase 1, o consumo diminuído (déficit de energia) representa uma surpresa, mas os sistemas fisiológicos iniciam a adaptação em menos de duas semanas. A termogênese induzida pelo alimento e a secreção dos hormônios da glândula tireóide diminuem, com isso o gasto energético diminui.

Adaptação

Na fase 2, o consumo continua diminuído, mas os sistemas fisiológicos de “defesa do estoque de energia” se tornam mais eficientes. As células adiposas já menos “cheias” aumentam a produção da adiponectina (reverte disfunções metabólicas da obesidade) e diminuem a produção do hormônio leptina. Isso leva ao aumento da fome e diminuição do gasto energético.  

Resistência

Na fase 3, o tônus do sistema nervoso parassimpático está elevado e a dieta restritiva de semanas pode ter provocado desnutrição, que somando com as adaptações anteriores, provoca apatia e fraqueza do indivíduo. A consequência é menor gasto com a termogênese adaptativa e menor gasto energético total. Praticamente não há mais perda e o peso se estabiliza.

A dieta é imprescindível, mas o acompanhamento da prática de exercícios é fundamental para minimizar as fases da adaptação e resistência. Veja como as informações corretas permitem que você possa assumir mais efetivamente a autogestão de sua saúde, e não apenas do peso corporal.

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