Pianista lança CD e DVD "Concerto para Moviola”

Projeto é o segundo solo de Ricardo Bacelar, ex Hanoi-Hanoi, que é também compositor, arranjador e ainda advogado

VARIEDADES - Oslaine Silva

Data 24/02/2016
Horário 08:11
 

"Concerto para Moviola" é um CD e DVD, o segundo solo de Ricardo Bacelar, ex Hanoi-Hanoi, que é pianista, compositor, arranjador e ainda advogado. O trabalho, gravado no Teatro Via Sul, foi feito especialmente para o tradicional Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (CE). Segundo ele, em 18 canções apresenta um repertório baseado em suas pesquisas sobre teclados analógicos dos grupos jazzísticos dos anos de 1970 e 1980, a música brasileira e o uso do piano acústico. Além da mídia física ambos os trabalhos estão disponíveis em todas as lojas virtuais e serviços de streaming, como iTunes, Spotify, Deezer, Google Play, Apple Music e Rdio.

Ricardo comenta que teve todo um cuidado na criação deste álbum, pois sua preocupação era fazer algo de qualidade. "Escolhi músicas de que eu gosto muito porque quando fazemos um disco ele fica para sempre... Pensei em algo que eu gostaria de ouvir, que me agradasse e, principalmente, aos meus amigos. O disco fala por si só...", se satisfaz o artista.

Jornal O Imparcial Projeto foi feito para tradicional Festival de Jazz e Blues; há 18 canções no álbum

Isso porque para ele o resultado foi uma excelente mistura de clássicos do cenário jazzístico internacional, como "Birdland" (Joe Zawinul), "So May It Secretely Begin" (Pat Metheny) e "March Majestic" (Bob Mintzer), pérolas da música brasileira, como "Sabiá" (Chico Buarque /Tom Jobim), "Palhaço" (Egberto Gismonti / Geraldo Carneiro), "Água de beber" (Tom Jobim / Vinicius de Moraes), "Setembro" (Ivan Lins / Vitor Martins / Gilson Peranzzetta) e "Nanã" (Moacir Santos / Mario Telles) e inspirados temas de Bacelar, como "Cordilheira", "Moviola", "Enquanto isso, chove..." e "Apartheid blues".

"Hoje em dia tem muito de se fazer músicas descartáveis, o retrato do Brasil em que estamos vivendo mesmo. E, as pessoas acabam ficando com medo de investir. Nada elitizado, mas buscamos fazer algo de qualidade. Estou feliz porque faço o que gosto. Como tem pouca coisa instrumental saindo está sendo muito boa a repercussão desse trabalho", ressalta Ricardo.


Parceria


O pianista exalta os profisdsionais que o acompanharam nesse projeto: Ronaldo Pessoa (guitarra), co-produtor do CD/DVD, Luiz Duarte (bateria), Miquéias dos Santos (contrabaixo), Marcus Vinicius Cardoso (violino), Maria Helena Lage (teclados e percussão), Hoto Júnior (percussão) e Marcio Resende (sax soprano, sax tenor e flauta). Gabriel Lage assina a direção e a edição do DVD, que aproxima o espectador ao criar um clima intimista, privilegiando cada músico em cena.

 

Arte e Justiça


Ricardo que atua em importantes discussões nacionais sobre direitos autorais, incentivo à cultura, é fiel defensor do ensino da música nas escolas. Seu trabalho contra o plágio foi referência para todas as universidades do país.

Estudante de música erudita desde a juventude, ele define seu novo trabalho como "mais alegre, diferente do anterior, que era introspectivo". Segundo Ricardo, a arte é uma condição de ser, de existir. É como ter nascido com aquilo e então precisa fazê-lo, se não adoece. E para o Direito, quando o profissional faz algo ligado a arte ele consegue fugir daquela tendência de se tornar frio.

Ele acentua que se não tiver um pouco de sensibilidade acabam tratando a Justiça, seus casos com certa frieza. E com a arte tem-se a possibilidade de se ter uma visão mais humana. Permitir-se se deixar tocar sim pela emoção com um caso e ser mais condinzente.

"Se você não tem a arte em si, se torna uma pessoa rude e ao se deparar com um caso em que deveria ser mais generoso, deixa de ser. E a generosidade é o mote da vida e o músico compartilha parte dele com outra pessoa. Isso é muito bom. Pessoas são diferentes, temos que abrir a mente... Eu misturo muito a música com o Direito", enfatiza.

 

SAIBA MAIS


EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL


Ricardo Bacelar Paiva é natural de Fortaleza (CE). Graduado em Direito pela Unifor (Universidade de Fortaleza) é advogado atuante na área do Direito Empresarial e Propriedade Intelectual. No Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) é membro da Comissão Nacional de Relações Internacionais e vice-presidente da Academia Cearense de Letras Jurídicas. Membro da Academia Cearense de Retórica. É membro do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Ceará, vice-presidente do CIC (Centro Industrial do Ceará). É professor do curso de pós-graduação em Direito Internacional da Unifor. "A música faz bem à formação, proporciona para a criança um acréscimo na condição cerebral dela, as conexões se formam mais rápido. Isso é científico e comprovado... além de ser um item de socialização, aumenta a percepção, agregação familiar, autoestima... e por ai vai", pontua.

 

FAIXAS


"CONCERTO PARA MOVIOLA"


 

"Cordilheira" (Ricardo Bacelar)

"Birdland" (Joe Zawinul)

"Killer Joe" (Benny Golson)

"So May it Secretely Begin" (Pat Metheny)

"March Majestic" (Bob Mintzer)

"The Windmills of Your Mind" (Michel Legrand)

"Senor Blues" (Horace Silver)

"Moviola" (Ricardo Bacelar)

"Enquanto isso, chove..." (Ricardo Bacelar)

"Sabiá" (Chico Buarque/ Tom Jobim)

"Palhaço" (Egberto Gismonti/ Geraldo Carneiro)

"Apartheid Blues" (Ricardo Bacelar)

"Setembro" (Ivan Lins/Vitor Martins/Gilson Peranzzetta)

"Água de Beber" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

"Nanã" (Moacir Santos)

"The Groove" (Brian Culbertson/Larry Dunn)

"Blue Miles" (Chick Corea)

 

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