Prática esportiva é primordial para a longevidade

Médico geriatra fala sobre o importante papel dos exercícios físicos na rotina de pessoas da terceira idade; idosos relatam as benesses da atividade física 

REGIÃO - CAIO GERVAZONI

Data 13/10/2021
Horário 05:00
Prática esportiva está associada a hábitos saudáveis que geram qualidade de vida e bem-estar a quem pratica
Prática esportiva está associada a hábitos saudáveis que geram qualidade de vida e bem-estar a quem pratica

A prática esportiva está associada a hábitos saudáveis que geram qualidade de vida e bem-estar a quem pratica. Este chavão é ainda mais válido quando se trata da realização de atividades físicas por aqueles que estão ou batem à porta da terceira idade.

Para o médico geriatra, José Eduardo Pinheiro, o hábito de se exercitar na terceira idade é fundamental para a prevenção e tratamento de patologias nesta fase da vida. As mais comuns, segundo ele, são as doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

“O exercício físico mostrou-se, em diversos estudos científicos, como o principal fator preventivo de mortalidade contra estas doenças. A prática da atividade física mostrou-se mais eficaz na redução da mortalidade do que o próprio tratamento da hipertensão arterial, do controle do tabagismo, do tratamento da diabetes e do colesterol”, pontua o médico.

O profissional lista mais dois pontos a serem considerados quanto aos benefícios da prática esportiva ao longo do processo de envelhecimento: a satisfação de quem a pratica e o retardo da perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia. “A atividade física é importante para a questão ocupacional e até mesmo de satisfação do idoso, quando a gente faz exercício físico e se condiciona, nós liberamos endorfina, o que dá uma sensação de bem-estar, permite a socialização, ajuda na prevenção e no tratamento de sintomas ansiosos e depressivos e na manutenção da funcionalidade do idoso”, expõe José Eduardo.

Quanto a questão da sarcopenia, o médico delineia que este processo é natural durante o passar da vida, mas que a prática habitual de exercícios físicos ajuda a atenuar esta marcha. “Quando a gente faz atividade física regular há uma redução no ritmo da sarcopenia. Melhora-se então a quantidade de fibras musculares, mas principalmente a qualidade do funcionamento destas células musculares e quando a gente mantém musculatura boa, a gente mantém funcionalidade, independência e capacidade para executar por conta própria as diversas funções da vida diária”, expõe o médico.

 

Exemplos

A vivência de Irene Pires Silvestre, de 94 anos, é uma boa amostra para referenciar a qualidade de vida e o bem-estar que a atividade física traz a quem a exerce habitualmente.

Dona Irene recebe o apoio da fisioterapeuta Itayane Nayra Benichio para fazer alongamentos e exercícios ritmados. A nonagenária relata que gostava de fazer caminhada no Parque do Povo, mas, que por motivos pessoais, teve que parar.

Após ser constatada com uma patologia na coluna, a idosa procurou retomar as atividades física e a partir daí dona Irene não parou mais. “Faço os exercícios três vezes na semana. Eles são para o fortalecimento e alongamento, tudo para manter minha independência”, pontua.

A fisioterapeuta Itayane explica que os exercícios passados à dona Irene auxiliam a aposentada a ter mais autonomia no processo natural de envelhecimento. “Para os idosos ativos, os exercícios geram uma melhor qualidade de vida, aumento da mobilidade, força muscular e são aliados no tratamento de doenças crônicas e degenerativas, que é o caso da dona Irene, que tem artrose”, explica Itayane.

O chaveiro Nelson Matsuo, 58, treina judô na academia do xará, Nelson Morimoto e fala sobre as benesses que a prática da arte marcial traz a sua rotina. “Com certeza, o judô me dá muito prazer na hora de fazer exercícios físicos e mais disposição para o dia-a-dia, sem falar das amizades que fiz no judô”, narra o senhor Matsuo.

Nelson conta que, assim como Dona Irene, também voltou a praticar exercícios físicos após orientação médica. “Depois de resultados de exames que constataram que eu estava com pressão alta, sobrepeso e glicemia, voltei aos tatames com o incentivo do sensei Morimoto e desde então já se passaram 9 anos”.

 

Recomendação médica

“É necessário que a pessoa idosa passe por uma avaliação médica para verificar suas condições. Os exercícios físicos não podem ser padronizados para todos da mesma forma”, explica o Dr. José Eduardo Pinheiro. Segundo ele, as avaliações são receitas individualizadas que dependem, de pessoa para pessoa, das condições cardiovasculares e, também, dos ossos e articulações.

 

Outro fator exposto pelo médico geriatra, é a regularidade da prática esportiva e o desenvolvimento gradual no ritmo das atividades físicas. “Mas do que a quantidade, é a qualidade do exercício. É importante que as pessoas se condicionam lentamente. No começo, atividades de cinco a dez minutos no máximo. O aumento deve ser progressivo conforme a satisfação e a capacidade do indivíduo. É primordial que os limites sejam respeitados”, indica o médico.

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