Precariedade

O desconhecido provoca medo, inquietação, dúvida e incerteza. Toda a situação que a pandemia está gerando em nossas vidas provoca muitos sentimentos, não visitados, anteriormente. Foge do nosso controle, essa invisível invasão, da Covid-19 e suas variantes. Há precariedade no modus operandi. A rotina foi totalmente alterada. Hábitos e costumes modificados. Estamos vivendo a tão famosa, ansiedade generalizada, pois, o desconforto é constante. A angústia aumenta muito, provocando sensações até mesmo, psicossomáticas. Nesse momento atual, de realidade pelo contágio do vírus, estamos emocionalmente abalados, pois tudo fugiu ao controle. Estamos mergulhados em terrenos áridos, inférteis como em areia movediça, até o pescoço. Dúvidas, incertezas e sensações de um vazio existencial estão entre as queixas. É notório, nesse momento, o despreparo de toda a complexidade que envolve a política, os governantes, a ciência, a pesquisa, a saúde, etc.. Penso que a impotência fez-se presente na onipotência humana. O ser humano recusa-se a aceitar com facilidade a inerente impotência. Em “mania” e cego, rumo ao seu desejo, abusa ultrapassando o limite da sanidade. Dribla o poder da natureza e muitas vezes busca resposta no sobrenatural, mesmo que não tenha base na ciência ou verdade. A ilusão, a negação, a racionalização, fuga da realidade são meios que o homem encontra, para lidar com o processo de Não Saber. O negacionismo tem relação também com a nossa onipotência. Negamos a realidade, porque reprovamos fragilidades ou vulnerabilidades inerentes à vida, como a morte e a morte de entes queridos. Muitas vezes, queremos buscar respostas, no pós-morte de quem amamos muito. Neste momento de pandemia, acompanhados pelo não saber, caminhamos pela estrada da melancolia, invadidos pelo afeto enigmático, que nos domina ao mesmo tempo em que domina o mundo. Sofremos e nos interrogamos por quê? O vírus chega com uma disputa de poder e vai seguindo vitorioso, mostrando a insuficiência de nosso saber. Firmes, precisamos seguir. O tempo histórico mostra que: “Não há mal que tanto dure, e bem que tanto perdure”. Lembrei nesse momento de um livro que acabei de ler, sobre o período Pleistoceno, ou simplesmente a “Era do gelo”, em que desconheciam o fogo.

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