Preço da arroba do boi recua e está, em média, 11% menor

Situação deve, nas próximas semanas, acarretar queda no preço da carne para o consumidor; Sindicato Rural diz que valor pago está em cerca de R$ 200 ao produtor

REGIÃO - THIAGO MORELLO

Data 11/01/2020
Horário 04:00
Jean Ramalho - Na Nelore Premium estimativa é que preço dos cortes bovinos se normalizem na segunda quinzena de fevereiro
Jean Ramalho - Na Nelore Premium estimativa é que preço dos cortes bovinos se normalizem na segunda quinzena de fevereiro

Do último semestre de 2019 para cá, não foi difícil ver consumidores assustados com o patamar que o preço da carne bovina chegou. O motivo: alta no preço da arroba do boi (15 kg), que na região de Presidente Prudente saiu de R$ 150 e chegou a atingir R$ 256, mas depois ficou em R$ 226,55. Hoje, o Sindicato Rural de Presidente Prudente já mostra que esse valor pode ser encontrado, em média, a R$ 200, 11,7% a menos. Pensando nisso, nas próximas semanas, a tendência é que o preço do corte bovino esteja mais acessível que hoje e, sendo assim, satisfazendo mais o consumidor.

E quem garante isso é quem mais entende: os açougues, vistos como os “para-choques” dessa cadeia, quando se fala no preço a ser pago e a ser ganho. Pelo menos é desta forma que vê o proprietário da Nelore Premium, Adriano Marcelo de Oliveira, um dos exemplos. Na segunda quinzena de fevereiro, segundo ele, é quando o valor dos cortes estará mais normalizado. “Vai estar mais acessível ao consumidor, mas não como antes desse aumento”, completa.

E nesse meio tempo, “quando realmente assustou o consumidor”, Adriano não deixa de mencionar que determinados grupos foram o que mais sentiram, na hora de comprar. “Mas, mesmo com as altas, a gente tentou segurar um pouco, tendo aí uma margem de lucro menor, para não perder tanto”, completa. Tal atitude alegra a doméstica Hilda Aparecida Oliveira, 53 anos, que espera, obviamente, ansiosa para que os preços caiam.

Assim como o auxiliar administrativo Rodrigo Santos, 35 anos. E em complemento ao depoimento de Hilda, ambos concordam que, no “período careiro”, a alternativa foi optar por outras proteínas, como o frango, carne suína e o próprio ovo. E foi isso mesmo que ocorreu, pelo menos para quem vende, a exemplo da Casa de Carnes Nelore de Ouro. O proprietário Marcio Luiz Sanches fala que muita gente usou a mesma estratégia que Rodrigo.

“Mas também teve consumo bovino, só que menor. Quem comprava 2 kg comprou 1 kg, e assim por diante”, completa Marcio. Contudo, para ele, a tendência é mesmo dar uma estabilizada no valor da arroba do boi, o que vai promover uma queda nos preços dos cortes. “Não vai ser como era antes do aumento real, que foi grande. Mas vai compensar essa queda de agora”, frisa. Assim como no Nelore Premium, ele analisa que essa novidade chegue no começo de fevereiro.

OSCILAÇÃO QUE

DIFERE DE OUTRAS

Sobre tal situação, o presidente do Sindicato Rural, Carlos Roberto Biancardi, lembra que é preciso mencionar quanto ao preço da arroba do boi, “que teve um período de mais três anos de estabilidade, trazendo uma situação complicada para o produtor”, uma vez que o preço para o cultivo - alimentação e produtos para a lida do gado - não parou de subir.

Numa comparação com o valor do combustível, por exemplo, que semanalmente recebe altas e baixas, Biancardi analisa que as pessoas acostumam com essa associação e, depois da estabilidade do preço da carne, quando “chegou ao momento que tinha que subir”, se assustaram. E se se hoje tais valores estão mais atrativos é por conta de um recuo do próprio mercado - até mesmo interno - e o final da seca, ainda de acordo com ele.

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