Professores na quarentena

Em tempos de isolamento social, devido à Covid-19, como ficaram as crianças com relação à rotina educacional? Conversando sobre a realidade atual, de educação a distância com uma professora da rede de ensino municipal, pude constatar uma realidade entristecedora. Ela descreve sua sala possuindo 25 alunos, cuja faixa etária compreende entre 4 e 5 anos.

Como a Secretaria da Educação tem a função de administrar e coordenar situações normais e atípicas como a da atualidade, compete diante de todo esse contexto, dar continuidade ao ensino e encontrar soluções para os problemas. Dar continuidade de forma virtual, repassando para os alunos lições e conteúdos do bimestre ou semestre, foi a solução encontrada. Acredito que a intenção realmente é necessária. Ter capacidade de resiliência em situações atípicas e inusitadas. Enfrentar o novo sempre é de extrema importância.

Resistimos às mudanças, sem ao menos perceber as possibilidades em direção às transformações. Todo projeto envolve uma logística a ser pensada e maturada. Existem detalhes que são extremamente “não pensados”, diante de uma nova realidade. A miopia racional e emocional impede a visão de falhas embrionárias no sistema tanto educacional como da saúde.

Essa professora participou de muitas reuniões de planejamentos, demarcando formas para sua execução e foi orientada a continuar seu trabalho pelas plataformas on-line, a fim de prosseguir com a grade curricular das aulas. Muito simples e fácil, se todos os alunos possuíssem computadores ou outras formas como os smartphones ou similares. Foi quando, como Fênix emergindo das cinzas, percebeu que, de seus 25 alunos, a maioria não tinha o que comer em casa e jamais poderiam adquirir um computador ou seus derivativos.

Deparou com um problema real e complexo. Mais uma vez teria que encontrar a solução. Resolveram então fazer as aulas mimeografadas (sistema obsoleto) e distribuir para os alunos na escola. Os pais teriam a função de, para os filhos darem sequência, buscarem as aulas que, com carinho, os mestres prepararam. E eles foram?...

E não é só na educação municipal e estadual que encontramos dificuldades em tempos de Covid-19, as particulares também. Crianças com excessos de atividades, pais com um ou mais filhos tiveram que acompanhar lições diárias. E juntando com o trabalho home office, acabou complicando e gerando conflitos na família. Algumas crianças mais suscetíveis ao perigo doméstico acabaram machucando-se. Os professores, por outro lado, permaneciam atualizando a grade do semestre, enviando lições diárias, pois há cobranças dos pais e da direção. Muitos conflitos foram surgindo na educação. Vamos avaliar todo esse contexto quando tudo passar. Tenho certeza que tudo será compensado e sairemos ganhando com essas experiências.

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