Profissionais do ramo de eventos sociais realizam manifestação em Prudente

Carreata marcada por "buzinaço" busca chamar a atenção do poder público sobre o atual cenário enfrentado pelos trabalhadores

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 12/01/2021
Horário 11:47
Foto: Roberto Kawasaki
Grupo esteve na rampa de acesso da Prefeitura, onde falou sobre as preocupações atual cenário
Grupo esteve na rampa de acesso da Prefeitura, onde falou sobre as preocupações atual cenário

Trabalhadores do setor de eventos sociais realizaram hoje uma carreata pelas ruas de Presidente Prudente, com o objetivo de chamar a atenção do poder público sobre a situação dos profissionais durante a pandemia do novo coronavírus. 

Segundo eles, o ramo foi impactado financeiramente, e não houve nenhuma guarida ou sequer um plano de ação de médio, curto e longo prazo para retorno das atividades.

Diante disso, pedem para que os governantes locais apresentem um real plano de ação para retorno das atividades ou até mesmo uma ajuda financeira para os profissionais que passam por dificuldades.

Durante o “buzinaço”, os profissionais passaram em frente ao prédio do MPE (Ministério Público Estadual) e seguiram em conjunto ao pátio da Prefeitura de Presidente Prudente. Na rampa de acesso, organizaram-se para apresentar o cenário ao qual enfrentam.

Na sequência, caminharam no Calçadão da Rua Tenente Nicolau Maffei e retornaram em frente ao MPE.


Roberto Kawasaki - Manifestantes passaram em frente ao prédio do Ministério Público Estadual

A cerimonialista Bruna Oliveira Ferreira de Aguiar, conta que nos últimos dez meses, os profissionais do setor tiveram que se reinventar e muitos começaram a vender frutas, bolos de pote e, até mesmo se desfazer de materiais de trabalho para pagarem suas contas. Porém, ela lembra que o mínimo recebido não é o suficiente para sobreviver. “Temos que ter pelo menos comida, luz e água”, afirma.

Os eventos sociais marcados para o ano passado tiveram que ser cancelados e muitos contratos acabaram sendo quebrados – prejuízo ainda maior para as empresas que apostaram nas festividades.

“Por exemplo, em um casamento para 200 pessoas, trabalham no mínimo 25 profissionais do segmento. Com a quebra de contrato, o cliente paga uma multa, mas o restante ele quer tudo de volta, e [os trabalhadores] ficam sem receber”, lamenta. 

Ofícios encaminhados

O grupo encaminhou um ofício à Prefeitura de Presidente Prudente e ao MPE, no qual solicita a flexibilização da atividade, com protocolo específico para cada segmento do setor, com horários de realizações diferenciados.

“Necessitamos para festas noturnas horários diferenciados, ou seja, 6 horas de eventos, porém, contados a partir da chegada dos convidados no recinto. Não teríamos as 8 h permitidas para as outras atividades, mas estas 6h são necessárias para a realização desse tipo de evento”, diz o documento.

Outra reivindicação é de que a mudança das normatizações não force o cancelamento imediato dos eventos programados.

“O efeito necessita de uma carência de pelo menos 20 dias, isto porque os prejuízos são enormes, tanto financeiros como emocionais, envolvendo todos os setores citados acima, que já investiram para que o evento seja realizado. Em contra partida os contratantes do evento enviarão um documento a quem for determinado, com antecedência mínima de 30 dias, indicando o local do evento, a capacidade autorizada de quantidade pessoas, o número  de convidados ( respeitando o limite de cada faixa, hoje 40%), além de se comprometerem a cumprir o protocolo da época, estipulado na data do evento”.


Roberto Kawasaki - Veículos passaram pelo centro da cidade a fim de mostrar o cenário enfrentado

Setor afetado pela pandemia

Um levantamento feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em abril, mostra que a pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos. 

A pesquisa ouviu prestadores de serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas, além de profissionais cujos trabalhos envolvem aluguel de estruturas como palcos, estandes, iluminação, som, bem como serviços de filmagens, produção fotográfica, bufê de festas, decoração, assessoria cerimonial, seguranças, transporte, agência e operadora de turismo, entre outros.

O impacto provocado pela Covid-19 também fica evidente observando o faturamento do setor. Em comparação ao mês de abril de 2019, 62,5% dos entrevistados acreditavam na redução de 76% a 100% do faturamento em abril do ano passado.

O que diz o Estado

A reportagem procurou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado para verificar se tinha interesse de se posicionar. A nota enviada pela pasta é reproduzida a seguir na íntegra:

"O Governo de São Paulo informa que mantém canal aberto para diálogo com todos os setores da economia e representantes de associações. Ressalta, ainda, que já liberou no total R$ 720 milhões de crédito subsidiados pelo Banco do Povo, Sebrae e Desenvolve SP para auxiliar empreendedores a atravessarem a crise e a alavancar seus negócios durante a pandemia do coronavírus.

Reforça também que atua com plena responsabilidade e transparência no combate e controle do coronavírus, sempre amparado pela ciência. Todos os setores devem seguir rigorosamente os protocolos sanitários.

Nas fases laranja (horário reduzido de 8 horas) e amarela (horário de reduzido de 10 horas), o setor de eventos deve funcionar com capacidade de 40%, ter controle de acesso, hora e assentos marcados e filas respeitando o distanciamento mínimo, além da adoção dos protocolos gerais e setorial específico. É proibido atividades com público em pé.

O Plano SP é respaldado por critérios técnicos, análises e pareceres do Centro de Contingência para permitir, de forma consciente e gradual, a retomada das atividades econômicas dos setores. Ele prevê faseamento regionalizado e segue sob monitoramento contínuo e diário, permitindo medidas mais restritivas caso haja necessidade apontada pelo Centro de Contingência do coronavírus.

Os critérios e a metodologia do plano estão disponíveis e podem ser consultados no site https://www.saopaulo.sp.gov.br/planosp."


Roberto Kawasaki - Pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos


Roberto Kawasaki - Grupo na rampa de acesso da Prefeitura de Presidente Prudente


Roberto Kawasaki - Caminhada no Calçadão deu sequência à manifestação

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