Projeto inédito na região de Prudente visa produção de abelhas rainhas

Objetivo é, futuramente, conseguir inseminá-las com sêmen de zangões selecionados, a fim de garantir mais rentabilidade ao produtor

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 21/10/2021
Horário 15:19
Foto: Cedida
Pesquisa é realizada com as abelhas rainhas africanizadas
Pesquisa é realizada com as abelhas rainhas africanizadas

Uma iniciativa do Grupo de Pesquisa com Abelhas da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), o Unobee, visa a produção de abelhas rainhas africanizadas (Apis mellifera). “O nosso objetivo principal é produzir rainhas de colmeias boas e, futuramente, conseguir inseminá-las com sêmen de zangões selecionados. Desta forma, estaremos garantindo uma produção muito mais rentável ao produtor”, explica a coordenadora do grupo, Ana Paula Nunes Zago Oliveira.

Ela comenta que estão envolvidos acadêmicos dos cursos de Ciências Biológicas e de Zootecnia da universidade. “Uma rainha só, sem ser fecundada, custa em torno de R$ 25. Mas o interessante é trabalhar com rainhas inseminadas de zangões que têm um sêmen bom. Nesse caso, dependendo do tipo da linhagem, tem rainha que custa até R$ 12 mil. O que é interessante até para o mercado de produção”, explica.

Para essa iniciativa, no setor de apicultura da Unoeste existem, atualmente, 14 matrizes de cinco colmeias filhas das matrizes. “O projeto de produção de rainhas Apis mellifera consiste em retirar larvas de favos de cria da colmeia com 24 horas de idade e introduzi-las em cúpulas produzidas em cera, com auxílio de um coletor de larvas. Essas cúpulas, já com as larvas alimentadas, voltam para a colmeia para que as abelhas nutrizes as alimentem com geleia real e continuem o ciclo, construindo as realeiras. Após a enxertia das larvas, são contados em torno de 10 dias e essas realeiras são retiradas e levadas ao laboratório para nascer em estufa com temperatura e umidade controlada”, esclarece Ana Paula.

A professora destaca que, ao nascer, é aferida as medidas e o peso das princesas, onde serão selecionadas as maiores e mais pesadas. “Esses parâmetros estão ligados diretamente à produção e proliferação de indivíduos na colônia. Somente após a fecundação serão chamadas de rainhas. Todo o ciclo é programado desde o dia da enxertia das larvas até o nascimento das princesas para a obtenção de dados precisos”, completa.

Ana Paula salienta que essa proposta é inédita na região e pode contribuir com o setor de apicultura. “Com essa iniciativa podemos ajudar e incentivar os apicultores e quem quer seguir nesse segmento, visando uma melhor produção em seus apiários, já que rainhas boas produzem crias boas. Além disso, queremos promover a conscientização da população sobre a importância das abelhas para a polinização de diferentes culturas, consorciando a apicultura e a agricultura orgânica”.

Para os acadêmicos envolvidos, além da experiência prática, eles aprendem a importância desses insetos polinizadores para o meio ambiente. “Eles também desenvolvem importantes habilidades como o trabalho em equipe e adquirem conhecimentos que podem contribuir com a atuação nessa área que é uma opção de carreira”, pontua.

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