Prudente soma 264 ocorrências de leishmaniose em 2018

Destas, 263 casos foram em animais e o outro em humano, registrado em novembro; plantões de coleta de sangue e chipagem foram intensificados para controle da doença na cidade

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 24/01/2019
Horário 06:52
Marcio Oliveira - Coleta de sangue e chipagem de cães podem ser feitas nos plantões ou no CCZ
Marcio Oliveira - Coleta de sangue e chipagem de cães podem ser feitas nos plantões ou no CCZ

Em novembro do ano passado, Presidente Prudente registrou o único caso de leishmaniose em humano de 2018. Em vista da gravidade da doença, as preocupações acerca dos cães, que são como reservatórios para o parasita leishmania, aumentaram, principalmente pelo fato de os animais terem sido atingidos 263 vezes. Com a soma, o município contabilizou os 264 casos de 2018, conforme dados do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), que considera o índice “alto”.

“A patologia tem se expandido no noroeste do Estado de São Paulo, e realmente causa uma preocupação”, explica o médico veterinário e diretor do CCZ, João Henrique de Carvalho Leite. Ele conta ainda que, ao longo do último ano, foram realizados 17,5 mil testes em cães, no entanto, o número não representa toda a população animal existente.

Pensando nisso, a pasta já iniciou os plantões que visam intensificar a coleta de sangue, a fim de diagnóstico de LVC (leishmaniose visceral canina) e/ou chipagem. Nos dois últimos finais de semana, a ação foi destinada aos moradores do Residencial Monte Carlo e Jardim Cobral, respectivamente.

O que o veterinário deixa claro é a impossibilidade do CCZ conseguir visitar todos os locais de Prudente ao longo do ano, por isso, faz-se necessário ainda mais o acompanhamento do dono do animal, em se preocupar com os sinais clínicos do cão e procurar o centro para realizar o exame, nos casos em que não há plantões. “Ou se a pessoa achar necessário, procurar seu médico veterinário pessoal. Mas o importante é não deixar de fazer os testes”, complementa.

E tais sinais clínicos, ainda de acordo com João Henrique Leite, são emagrecimento, fraqueza, queda de pelo, crescimento anormal das unhas, feridas no focinho, nas orelhas e nas patas, além de lesões de pele diversas, especialmente em pontas de orelhas e ao redor dos olhos. “Já no homem, os principais sintomas são febre prolongada, emagrecimento, desconforto abdominal, aumento do baço e do fígado, além de fraqueza”, elenca.

Tratamento

Quando o assunto é tratamento, o veterinário Luiz Carlos Kayahara da Silva explica que se fala de um procedimento bem individualizado e que depende da carga do parasita existente no animal, o estado de saúde, bem como nutrição, lesões aparentes, anemia e perfeito funcionamento de órgãos, como rim e fígado. “Além disso, é preciso verificar se não existe outra doença acometendo-o”, frisa. A partir daí, o especialista frisa que existe um novo medicamento para cuidar dos casos de leishmaniose, o milteforan.

Segundo Luiz, o remédio é uma novidade no mercado e por isso tem um custo elevado. No entanto, se faz essencial, “principalmente nos casos mais graves”. De acordo com o médico, a droga funciona como uma imunoterapia e “faz com que o organismo aprenda a se defender da leishimania”. Fora isso, aconselha o uso de coleira especial para evitar a disseminação da doença para animais saudáveis e em seres humanos. Ademais, o veterinário reforça a existência de outros medicamentos que, “apesar de não ter indicação em bula, já foram provados por estudos que auxiliam no tratamento”.

Quanto ao tempo de duração do tratamento, Luiz frisa que é por toda vida, visto que a doença não tem cura. Nesse contexto, recomenda uma visita periódica a um profissional a cada quatro meses. “Os tratamentos iniciais custam uma média de R$ 2,5 mil, o preço vai variando de acordo com a resposta e o estado do animalzinho”, frisa.

CONFIRA OS PRÓXIMOS LOCAIS COM TESTES E CHIPAGEM

- 26/01 no Residencial Anita Tiezzi;

- 09/02 no Residencial São Paulo;

- 16/02 no Jardim Guanabara.

Em todas as ocasiões, a ação inicia às 8h e se estende até às 16h.

Fonte: Centro de Controle de Zoonoses

SERVIÇO

O exame também pode ser realizado no CCZ, todos os dias. O órgão está localizado na Rua Castelo Branco, 93, no Parque Castelo Branco. O ambulatório funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h.

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