Prudentino integra elenco de 2 novos filmes

André Luís Patrício, ator e cantor

VARIEDADES - OSLAINE SILVA

Data 03/08/2021
Horário 08:07
Foto: Divulgação
Ele participa de “Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira,  e “Doutor Gama”, de Jeferson De
Ele participa de “Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira, e “Doutor Gama”, de Jeferson De

É sempre bom ver talentos da nossa terra sempre trabalhando e expandindo seus horizontes, não é mesmo? E nesta edição, trazemos o ator e cantor prudentino, que vive em São Paulo (SP) desde 2001, André Luís Patrício (Instagram.com/andreluispatricio), e está no elenco de dois filmes: “Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira, que estreou há uma semana, no catálogo da Netflix; e “Doutor Gama”, de Jeferson De, que chega aos cinemas nesta quinta-feira. Bora conferir?

Quais são os seus papéis em ambos os filmes?
Em ‘Um Dia com Jerusa’, faço o seo Lourival, dono de um bar no Bairro do Bixiga em São Paulo. A cena na verdade mostra um assédio que as mulheres sofrem. Com certa sutileza. No ‘Doutor Gama’, faço um escravo fugitivo socorrido por Luiz Gama quando está sendo espancado por um senhor, indo de encontro com a história do grupo social o qual pertenço, os afrodescendentes.

Como surgiu o convite para participar das filmagens dos longas?
Os convites não surgem, como qualquer trabalho é preciso buscar o trabalho. No país que fala de meritocracia, ou ser indicado, é uma luta corporal constantemente.

Fale-me brevemente sobre ambos os filmes. Qual o enredo?
São dois filmes de cineastas pretos que contam dois momentos da história do povo afrodescendente em períodos distintos da História do Brasil, numa perspectiva ficcional, mas baseados em fatos reais. Filmado em novembro de 2018, ‘Um Dia com Jerusa’, de Viviane Ferreira, conta a jornada solitária de dona Jerusa Léa García, que ao encontrar a pesquisadora Silvia [Débora Marçal] compartilha suas experiências e memórias. O filme ainda traz no elenco o poeta Akins Kinte e o Antonio Pitanga.
Já ‘Doutor Gama’ conta a história do poeta e advogado Luiz Gama, vendido como escravo pelo pai, um português endividado por vício em jogo. O filme conta a sua jornada de herói até virar um rabulo e libertar mais de 500 escravos. Eu faço uma participação pequena como um escravo fugitivo que Gama vê sendo espancado e o socorre. O filme é de Jeferson De, com Romeu Evaristo, Zezé Motta, Sidney Santhiago e Marcelo Zorzeto, ator prudentino também, do Conjunto Habitacional Ana Jacinta, que mora aqui em São Paulo. Somos parceiros de luta, e no filme ele faz um capitão do mato.

Você é de Presidente Prudente, mas há muitos anos foi embora, certo? Conte-me um pouco dessa mudança, como e por que foi embora?
Sofri um imenso boicote na cidade, mas não sou de sucumbir. Minha arte é meu modo de estar no mundo. Agradeço aos moradores do Conjunto Habitacional Brasil Novo no período em que vivi lá, favela do Vavá, nos becos e vielas onde a poesia está, verdade da #favela que o sistema quer matar, foi isto, tentaram me matar, mas cá estou, Prudente racista como parte desse país ‘negro’ e racista.

Na arte, quais as maiores dificuldades enfrentou até aqui?
O racismo faz da nossa condição humana um ato ilícito. O racismo cessa o desenvolvimento do ser, ninguém que é preto é tido como cidadão, de plenos poderes ao direito ao bem estar social.

Que conselho você daria aos jovens atores que estão iniciando no mundo artístico?
Eles não querem conselhos, eles querem fama, mas com streaming precisa ser ator de fato, estudar é ato de rebeldia hoje em dia, o ator precisa saber de história, antropologia, sociologia, é preciso o saber.

Como tem sido este período de pandemia, André? 
Uma luta corporal constante e a família de amigos que não me abandona, agradeço a minha amiga prudentina, a historiadora Michela Mendes, o bibliotecário Murilo Tomiazi Misael, o cineasta Gilberto Manea e tantos outros que me auxiliaram, como minha tia Marinalva Patrício, gratidão. O produtor prudentino Emerson Mostacco, e o meu amigo Marcelo Zorzeto.

Com que frequência vem à região?
Estou tentando um show com Amanda Costa, que era cantora do grupo Trem da Alegria, qual nos tornamos amigos o ano passado, e elavem me incentivando a cantar. Se tivermos patrocínio lançamos o show aí em Prudente. Já tentei contato por aí, mas não rolou, estou sempre que posso na cidade que se diz Prudente [risos].

Fale-nos um pouco sobre sua trajetória artística...
Sou influenciado por mim mãe, ela foi doméstica na casa de uma amiga do Timochenco Webbi e de seu irmão. Nessa casa tinha todo um ambiente de artes, minha mãe também me deixou como herança a paixão pela leitura. Trajetória de artista preto é de muita luta, principalmente quando não se é um José Dias.

 

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