Prudentino José Maria Lisboa é destaque no tiro esportivo

Aos 75 anos de idade, ele coleciona medalhas e troféus de participações em campeonatos nacionais e internacionais, se sobressaindo em diversas modalidades

Esportes - ROBERTO KAWASAKI

Data 22/10/2021
Horário 08:00
Foto: Roberto Kawasaki
Vivência foi “gatilho” para despertar admiração
Vivência foi “gatilho” para despertar admiração

Aos 75 anos de idade, o prudentino José Maria Lisboa é referência no tiro esportivo. Desde muito jovem, quando viu na paixão pelas armas uma forma de praticar esporte, coleciona mais de 200 medalhas e mais de 100 troféus de participações em campeonatos nacionais e internacionais - sendo que foi destaque em diversas modalidades. Atualmente, o aposentado divide a experiência com os iniciantes, e afirma que não pretende deixar a prática de lado. 
A reportagem esteve no Stand de Tiro Minoru Kozuki, no Tênis Clube de Presidente Prudente, a “casa” de José Maria. É naquele espaço em que há mais de duas décadas aprimora suas técnicas e guarda as lembranças de campeonatos esportivos. Em quatro folhas impressas com o título “Minhas Provas de Tiro”, mostra uma planilha organizada com as datas, anos, colocações, pontuações e nomes de suas principais participações em eventos de tiro esportivo. 
Mas, para chegar até aqui, José Maria Lisboa precisou de muito treino e aperfeiçoamento em suas técnicas. A experiência começou ainda na infância, entre 5 e 6 anos de idade, quando teve contato com uma arma pela primeira vez. “Meu pai tinha uma fazenda, e às vezes quando a gente saía, ele levava o rifle e deixava eu atirar. Ele segurava a arma pra mim e eu simplesmente puxava o gatilho”, afirma. E essa vivência foi de fato um “gatilho” para despertar a admiração pelas armas. 
“Em 1954, fomos na inauguração do Parque Ibirapuera em São Paulo, e tinha um stand de chumbinho que era para quebrar uns saquinhos de telha. Comecei a acertar muito, o cara até ficou impressionado. Então, meu pai me deu uma espingardinha de pressão, aí eu fiquei animado”, conta. “Mais para o fim do ano, disse que se eu passasse em primeiro lugar na escola, me daria uma arma de fogo”. Dito e feito! José Maria cumpriu com o acordo e ganhou a arma, uma carabina 22 fabricada na antiga Tchecoslováquia, e que faz questão de mantê-la guardada em casa até hoje.

Habilidade e persistência

As participações em torneios começaram anos mais tarde, em 1974. No entanto, em alguns eventos, a carabina que havia ganhado do pai não era autorizada porque um dos requisitos era de que a arma fosse nacional. Diante disso, usava arma emprestada. “Participei de uma prova de tiro em Maringá [PR] que era de revólver e carabina. Atirei de carabina, e ganhei. Um colega emprestou o revólver dele, mas não tinha noção nenhuma das técnicas. Peguei o penúltimo lugar e fiquei muito bravo”, lembra. Porém, com persistência, se aprimorou, retornou ao campeonato e ganhou. 
Depois da experiência, passou a praticar somente com arma curta, preferência que segue até os dias atuais. Em um dos mundiais, nos Estados Unidos, em que participaram 76 países, o prudentino representou o Brasil e ficou na 46ª colocação. O resultado foi satisfatório, mas afirma que poderia ter sido ainda melhor. “Fiz o mesmo resultado que fazia aqui, a outra turma era muito boa. Enquanto eles treinavam seis horas por dia durante seis dias na semana, eu treinava um ou duas vezes por semana porque tinha que trabalhar”.

"Também quero chegar lá"

Apesar de hoje estar aposentado, José Maria não deixou o esporte de lado. E quando questionado se pretende seguir em frente com a prática, a resposta foi certeira: “Claro! Tenho um amigo de 92 anos que mora em Belo Horizonte [MG] que ainda está atirando, eu também quero chegar lá [risos]”.
Foram diversos campeonatos que ele já até perdeu as contas, sendo dois mundiais e seis sul-americanos quando representava a equipe brasileira de tiro. Com os olhos marejados de orgulho por suas conquistas, afirma que o tiro esportivo esteve e sempre estará em sua vida. “Mais da metade da minha vida foi de tiro, é uma satisfação muito grande”.

Foto: Roberto Kawasaki

José Maria teve contato com arma ainda criança



 

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