Que Deus nos abençoe

Giselle Tomé

CRÔNICA - Giselle Tomé

Data 18/04/2026
Horário 06:00

“Boa noite, professora, Deus abençoe.”
Já há algum tempo, recebo despedidas quentinhas como essa quando encerro minhas aulas. Às vezes, o aluno nem imagina o quanto essa frase é importante. O quanto ela é poderosa. Pode até ser que fale automaticamente, mas, muitas vezes, percebo que vem do coração, e isso reacende uma esperança.
Ouvir um “que Deus abençoe” me faz acreditar que ainda vale a pena. Abençoar alguém é desejar que tudo dê certo, com a mão do Criador apoiando, cuidando, protegendo. Quando eu era criança, sempre que ia visitar meus parentes, meus pais diziam, meio que me empurrando: “Pede a bênção”, e lá ia eu: “Bênção, tia, tio, vó...”. Naquela época, eu não tinha dimensão do que esse gesto significava. Confesso que até tinha vergonha; achava estranho.
Mas o curioso é que, até hoje, lembro das mãos magras, enrugadas, da minha avó paterna, estendidas e dela dizendo, com um sorriso singelo: “Deus te abençoe, minha filha”. Saudades desse tempo. Saudades da minha avó. Atualmente, é até incomum ouvir alguém pedindo bênção. Infelizmente, um costume que se foi perdendo.
Hoje entendo o que isso representa e sinto-me abraçada quando um aluno ou amigo me abençoa. Acho que é uma das coisas mais lindas que se pode desejar ao outro. Dizer “eu te abençoo” é mais do que palavras: carrega um significado profundo. 
Eu, particularmente, não consigo seguir sem fé. Sendo católica, tenho visto Deus cada vez mais presente nas pequenas e grandiosas coisas. Fiquei maravilhada, por exemplo, ao ver o astronauta norte-americano, Victor Glover, cristão, que participou da missão Artemis II. Ele aproveitou a audiência ao vivo, em transmissão oficial da NASA, pouco antes de passar para o lado oculto da lua e perder o sinal de comunicação, para deixar uma breve mensagem de fé.
Disse que, ao explorar o cosmos, queria lembrar de um “mistério importante na Terra”: o amor. Citou Jesus e falou sobre a beleza da criação. Sabemos do poder da ciência e ela também reconhece o valor da religiosidade. 
Como mãe, digo: não tem como não acreditar. Minha fé se fortaleceu ainda mais no instante em que soube que estava grávida. Eu me encantava a cada leitura sobre as semanas de gestação e a cada ultrassom. Era impossível não reconhecer a perfeição sendo gerada dentro de mim. Ser mãe me moldou (e ainda me molda) para ser uma pessoa melhor.
Queremos ser melhor para nós e para os nossos filhos. Desejamos ser exemplo, não necessariamente para sermos seguidos, mas superados.  Quando um aluno me abençoa é como se eu recebesse um lembrete de que ainda estamos tentando, cada um à sua maneira, ser um pouco melhores do que fomos ontem. “Que Deus nos abençoe”!

 

Publicidade

Veja também