Região de Prudente se consolida como referência na produção e pesquisa de pitaya

Cristiano Machado

COLUNA - Cristiano Machado

Data 23/04/2021
Horário 06:00
Foto: Mastrangelo Reino/AgriculturaSP/Divulgação 
 APTA de Prudente tem coleção de trabalho com mais de 150 materiais de pitayas
APTA de Prudente tem coleção de trabalho com mais de 150 materiais de pitayas

Estão concentradas na região de Presidente Prudente (oeste de SP) pesquisas sobre pitaya que buscam disponibilizar para os produtores plantas adaptadas às regiões de cultivo no Estado e com características que agradem os consumidores. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), desenvolve os trabalhos. Das 1.380 toneladas de pitaya comercializadas na Ceagesp/SP, 41%, ou seja, 570 toneladas, é oriunda do Estado de São Paulo. Uma das principais regiões produtoras paulistas é Presidente Prudente, responsável pela produção de 100 toneladas em 2020.  “As pesquisas da APTA Regional buscam selecionar os materiais mais adaptados para as regiões paulistas, levando em conta critérios de produtividade, mas também de sabor. Queremos que os produtores plantem pitayas saborosas, que agradem os consumidores”, explica o pesquisador da APTA, Nobuyoshi Narita. 

Desafio dos produtos

De acordo com o presidente da Faop (Fruticultores Associados do Oeste Paulista), Carlos Sussumu Suyama, o maior desafio dos produtores de pitaya é a disponibilização no mercado de frutas de melhor qualidade. “Os consumidores não querem apenas uma fruta bonita. Eles também querem uma fruta doce, gostosa. A APTA tem nos ajudado muito nessa questão, buscando variedades que agradem os consumidores”, afirma.

São 150 materiais

A APTA Regional mantém em Presidente Prudente uma coleção de trabalho com mais de 150 materiais de pitayas obtidas de produtores e colecionadores de diversas regiões do país. Esses materiais são avaliados pelos pesquisadores, que também desenvolvem estudos relacionados à nutrição e adubação, poda, sistema de condução, polinização e indução do florescimento.

Maioria desconhece

Narita explica que o consumo de pitaya vem crescendo ano após ano, porém, a grande maioria da população ainda desconhece a fruta, por isso, o seu potencial de mercado é muito grande. Em Presidente Prudente, a fruta, que está em plena colheita, é cultivada por pequenos agricultores tecnificados, que produzem em áreas de cerca de dez hectares, diferentemente do Nordeste, em que são encontradas áreas de mais de 50 hectares. “O cultivo da pitaya é muito interessante para os agricultores da região de Presidente Prudente, já que a planta gosta de clima quente, e possui alto valor agregado. Na entressafra, se encontra pitaya a R$ 30 o quilo”, explica o pesquisador da APTA.

Rica em vitamina C

De acordo com nutricionistas da Codeagro (Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios), a pitaya é uma fruta que pode ser encontrada em três variedades: vermelha, branca e amarela. Todas elas apresentam o exterior escamoso e polpa de sabor doce e suave. A fruta contém grandes quantidades de vitamina C e potentes antioxidantes que favorecem a preservação celular e previnem o envelhecimento precoce. Sua polpa compõe quase 90% do fruto e pode ser consumida in natura ou utilizada no preparo de sucos, sorvetes e geleias.

*Com informações da Secretaria da Agricultura de SP


“Como representantes do sistema produtivo rural brasileiro, queremos ser indutores do processo de integração das cadeias produtivas, equalizando o custo e os benefícios advindos da mitigação às mudanças climáticas”. João Martins, presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), em recente evento sobre estudos que mensuram fatores de emissão e remoção de gases de efeito estufa. 

Avanço da soja

A cultura da soja continua em processo de expansão no Estado de São Paulo. Os resultados indicam uma área 5,3% maior que a contabilizada em 2019/20, alcançando 1.159,2 mil hectares. Em termos produtivos, o crescimento é de 1,8%, com média de 3.548 kg/ha (59,1 sc. 60 kg/ha). A produção deve atingir 4.112 mil toneladas, volume 7,2% superior ao obtido em 2020 (3.836 mil/t). Em relação aos preços, em fevereiro de 2020, a saca estava cotada em média R$ 78,44; já em fevereiro de 2021, a média passou para R$ 158,77, pouco mais de 100% de aumento, motivo mais que suficiente para incentivar o produtor a expandir a área de produção no Estado, apesar do aumento dos custos de produção.

WendersonAraujo/Trilux/CNA

Amendoim em grão

Para a safra agrícola 2020/21 de amendoim em grão, o Estado de São Paulo, maior produtor nacional (respondendo por aproximadamente 90% da produção nacional), apresenta aumento de área plantada da ordem de 10,6%, podendo atingir 170,5 mil ha. O volume produzido deve atingir 27,3 milhões de sc. 25 kg (681,5 mil t), volume 9,1% superior à safra passada. A versatilidade do amendoim tem chamado atenção de produtores rurais, que aproveitam geralmente a entressafra da cana-de-açúcar para cultivar o grão.

Milho safrinha

O atual levantamento da safra de milho safrinha indica alta esperada na área de plantio em 8,1%, comparativamente ao ciclo anterior, chegando a ocupar uma extensão de 520,9 mil ha. A produtividade esperada é de 15% superior à de 2019/20, e espera-se uma produção de 2.537,5 mil t (42,3 milhões de sacas), com incremento de 24,3%. Os valores positivos referem-se a uma recuperação produtiva e a um aumento de área, possivelmente ligado à redução de área do milho 1ª safra e ao bom momento de preços ao produtor.

O milho

Já o milho 1ª safra deve ter redução de 3,7% na área de plantio, 339,9 mil ha, ante 352,8 mil ha da última safra, seguindo a tendência de queda dos últimos dez anos. Neste ano, a produtividade esperada é 1,4% superior à de 2019/20, alcançando assim produção de 2.225,5 mil t (37,1 milhões de sacas). A remuneração para o produtor também segue em alta e, em fevereiro de 2021, o IEA cotou a saca de 60 kg em R$ 78,92, maior valor dos últimos 24 meses.

Daniel Guimarães/AgriculturaSP

Cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar – principal produto agrícola de São Paulo – está presente em 503 municípios; sendo que 16,5% (83 municípios) respondem por 50% tanto da área estadual quanto da produção total do Estado. A estimativa preliminar da produção paulista é de 437,8 milhões de toneladas, valor similar ao obtido na safra anterior (+0,1%). As condições edafoclimáticas para a presente safra canavieira são positivas, refletindo no acréscimo de 0,2% no rendimento agrícola, chegando a 78.490 kg/ha. A produtividade da terra nos 83 principais municípios produtores está entre 60 t/ha e 93 t/ha. A ligeira oscilação negativa da área (-0,5%) não afetará a produção da cultura.

A laranja

A estimativa preliminar da safra agrícola paulista 2020/21 de laranja é de 308,64 milhões de caixas de 40,8 kg (12.592,4 mil t), volume 2,9% inferior à quantidade obtida em 2019/20 (12.963,2 mil t). Esse volume contabiliza a safra paulista de laranja destinada ao mercado e à indústria, as caixas perdidas no processo produtivo e na colheita, bem como os frutos provenientes de pomares pouco expressivos economicamente. A área ocupada com pomares de laranja é de 431,3 mil ha, correspondendo a 172,9 milhões de plantas, estimando-se 93% aptas para produção. A situação climática, ainda sob os efeitos de La Niña, afetou a produtividade da terra que caiu 2,4%, registrando 31.231 kg/ha (1,98 cx. 40,8 kg/pé). Os próximos levantamentos refletirão mais adequadamente o comportamento da safra.

*Com informações da Secretaria da Agricultura de SP

Daniel Guimarães/AgriculturaSP

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