Durante muito tempo, Presidente Prudente e sua região administrativa ocuparam posição de protagonismo no desenvolvimento do interior paulista. No entanto, nas últimas décadas, essa posição foi sendo diluída, seja pela falta de investimentos estruturantes, seja pela ausência de um planejamento integrado de longo prazo.
Diante deste panorama, as entidades UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região), Acipp (Associação Comercial e de Inteligência de Presidente Prudente), Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Grupo Lidera e Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) uniram-se e constituíram o Grupo de Coalizão, cujo escopo é avaliar as potencialidades da nossa região e os entraves que dificultam seu desenvolvimento. Para tanto, foi elaborado o estudo "Coalizão da Região Administrativa de Presidente Prudente".
O propósito central deste trabalho, coordenado pelo Grupo de Coalizão, é formalizar as vocações e potencialidades da nossa terra e, mais importante, estabelecer um roteiro estruturado de ações para ampliar a atratividade de investimentos. De forma pragmática, o estudo busca criar condições para a geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável, garantindo qualidade de vida para todos os cidadãos da região.
O estudo aponta vocações regionais claras e promissoras. O agronegócio e as agroindústrias oferecem terreno fértil para agregação de valor e geração de empregos. A energia limpa, especialmente o biometano, desponta como oportunidade estratégica alinhada à sustentabilidade global. O turismo, em lazer, eventos, negócios e saúde, permanece pouco explorado, mas com vasto potencial. A vocação educacional e tecnológica, impulsionada por universidades, fomenta inovação e empreendedorismo. A qualidade de vida e a posição geográfica estratégica atraem novos investimentos e moradores. Temos os ingredientes para crescer.
Contudo, os desafios são evidentes: baixa atração de investimentos industriais, perda de competitividade, gargalos logísticos, falta de articulação entre os atores regionais e a necessidade de fortalecer a inovação e a governança. O diagnóstico é cristalino: não falta potencial, mas sim articulação, estratégia e execução.
Para enfrentar essas fragilidades, o Coalizão delineou quatro verticais estratégicas para tornar a região economicamente mais atrativa, sustentável e com qualidade de vida. São elas: 1. Região Economicamente Atrativa: tornar o ambiente favorável a novos negócios e ao fortalecimento do agronegócio e à inovação. 2. Sustentabilidade e Qualidade de Vida: Priorizar a infraestrutura urbana, segurança, saúde e turismo. 3. Educação e Polo de Inovação: Transformar a região em um centro de excelência tecnológica e capacitação de mão-de-obra. 4. Modelo de Gestão e Transparência: Focar na eficiência da governança pública e na participação social.
O estudo vai além da teoria e sugere cinco projetos prioritários imediatos, que incluem a regularização fundiária para dar segurança ao produtor rural, a exploração de Energia Limpa (Biometano), o fortalecimento da cadeia produtiva local (como o setor de batata-doce, som automotivo etc.), a criação de um hub de turismo regional e um programa de estímulo ao empreendedorismo e inovação.
O papel das entidades e da sociedade civil é fundamental. O Coalizão prova que o desenvolvimento não é estático, ele é construído coletivamente. A tarefa agora é transformar planejamento em ação. Depende de continuidade, coragem e, acima de tudo, união entre o poder público e a sociedade. Nenhuma região prospera por acaso, ela prospera quando decide crescer e age em conjunto para isso.