Reportagem multimídia aborda cenário da violência sexual infantil em Prudente

Peça prática integra TCC de alunos de Jornalismo, da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste; conforme uma das integrantes da equipe, intuito da obra é quebrar o tabu sobre o tema

PRUDENTE - CAIO GERVAZONI

Data 14/11/2021
Horário 07:13
Foto: Cedida
Peça prática escolhida pelos discentes foi a reportagem multimídia, que apresenta, além do texto e imagens, áudio, vídeo e infografia
Peça prática escolhida pelos discentes foi a reportagem multimídia, que apresenta, além do texto e imagens, áudio, vídeo e infografia

Orientados pela professora Dra. Maria Luisa Hoffmann, os graduandos em Jornalismo - Bruna Evelyn, Heloísa Lupatini, Jady Alves, Mayson Martins e Milene Gimenez – decidiram colocar o dedo na ferida de um tabu social. A partir da reportagem multimídia “Infância Roubada”, fruto de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), a equipe de futuros jornalistas aborda o cenário da violência sexual infantil em Presidente Prudente nos últimos cinco anos, num período que vai de 2016 até 2020. 
Umas das integrantes do grupo, Jady Alves, descreve que quando a equipe estava pensando sobre qual tema abordar, a conclusão foi de que o trabalho seria produzido a partir de algo que pudesse ter grande contribuição e relevância social para a região de Presidente Prudente. “Na mesma época, veio à tona o caso da criança de 10 anos que havia engravidado após ser abusada, então, uma das integrantes do grupo propôs que fizéssemos o nosso TCC sobre violência sexual infantil”. A graduanda narra, que depois de muitas pesquisas e conversas com os professores do curso, o grupo teve a percepção que o assunto era pouco discutido pela imprensa. “Decidimos então falar sobre o cenário da violência sexual infantil em Presidente Prudente”. 
Jady conta que a reportagem, além de mostrar e analisar dados de casos deste tipo de violência no município, também, aponta sinais que as crianças podem dar quando estão submetidas a essas situações, explica como as pessoas podem denunciar esses crimes e, por fim, descreve o processo de assistência às vítimas. “Sendo assim, acredito que o nosso produto final é de grande contribuição para a cidade, para as instituições, para os órgãos e, o mais importante, para a população”, pontua. 

Reportagem multimídia

A peça prática escolhida pelos discentes foi a reportagem multimídia. Jady Alves explica que durante todo o curso de Jornalismo, os integrantes da equipe puderam experimentar o variado leque das áreas de atuação na Comunicação e assim escolher o que mais atraía para a execução do TCC. “Partindo disso, a escolha de realizar uma reportagem multimídia foi porque, a partir dela, nós poderíamos trabalhar cada um na área que tem mais aptidão. Além disso, a reportagem multimídia nos permite trabalhar vários recursos, o que ajudou muito na hora de lidarmos com texto, áudio, vídeo, imagem e infografia”, relata a aluna. 

Fontes entrevistadas

Segundo o grupo, no total, 13 fontes foram entrevistadas, entre elas, representantes do MPE (Ministério Público do Estado), da Polícia Civil, além de três vítimas de abuso sexual infantil e uma mãe de uma adolescente que passou por isso. “Também entrevistamos uma diretora de escola. As responsáveis pelo Conselho Tutelar, Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Sace (Saúde Mental e Setor de Ações Complementares da Educação), uma psicóloga e uma conselheira tutelar municipal”, apresenta Jady. 

Pespectiva da orientadora

A orientadora da equipe, professora Dra. Maria Luisa Hoffmann, conta que o processo de orientação para o desenvolvimento da reportagem foi trabalhoso, mas, ao final, o produto apresentado pelo grupo é de excelência. “Muitos não acreditaram no trabalho, justamente, pelo o que eles falam no começo: é um tabu, difícil falar sobre… mas acontece muito mais do que se imagina, em todas as classes e lugares. Então, tem que ser discutido, mesmo que gere incômodo, até porque esse incômodo pode virar mudança”, argumenta. Segundo Maria Luisa, os órgãos para colheita dos dados foram muito receptivos, porém, a maior dificuldade foi encontrar vítimas que quisessem falar sobre. “Algumas desistiram ao longo do processo”. 
A docente relata que, além de organizar e interpretar os dados, foi uma situação penosa lidar com as informações coletadas. “Confesso que, como mãe, foi difícil lidar com as informações. Quando você começa a ouvir as vítimas, começa a interpretar a planilha, ver as idades, quem abusou, como foi, é muito impactante. Mas tentamos todos manter um distanciamento para conseguir [realizar o trabalho]”. 

SERVIÇO
A reportagem multimídia, intitulada “Infância roubada”, pode ser vista no site da Revista Prisma, da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste:  http://sites.unoeste.br/prisma/infancia-roubada.

Foto: Cedida

TCC violência infantil presidente prudente
Reportagem multimídia “Infância Roubada” aborda cenário da violência sexual infantil em Prudente nos últimos cinco anos

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