Reunião discute retorno às aulas presenciais em PP; Seduc diz que não é recomendável

Maioria dos órgãos presentes se posicionou contrária à retomada, exceto representante das escolas particulares

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 29/09/2020
Horário 14:07
Patrícia Motta/Seduc - Secretaria realiza, no momento, consulta aos pais sobre retorno às aulas presenciais Patrícia Motta/Seduc - Secretaria realiza, no momento, consulta aos pais sobre retorno às aulas presenciais Imagem: Patrícia Motta/Seduc - Secretaria realiza, no momento, consulta aos pais sobre retorno às aulas presenciais

A Seduc (Secretaria Municipal de Educação) de Presidente Prudente realizou, no fim da tarde desta segunda-feira, uma reunião com representantes das redes municipal, estadual e particular de ensino para tratar sobre o retorno às aulas presenciais.

Abrindo o encontro, o titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Valmir da Silva Pinto, apresentou o panorama dos casos de coronavírus, a Covid-19, nos últimos três meses. Segundo dados, em julho, foram registrados 1.174 casos e 20 mortes; em agosto, 1.409 confirmações e 44 mortes; e em setembro, até ontem, 1.069 registros e 36 falecimentos.

"Na visão da Secretaria de Saúde, Prudente está em uma situação estável, mas aglomerações ainda são perigosas, ou seja, a pasta não recomenda o retorno às aulas", explica Sônia Pelegrini, secretária de Educação, acrescentando que a cidade tem cerca de 45 mil alunos, sendo mais de 13,5 mil na rede estadual, mais de 12 mil na particular e mais de 19,2 na rede municipal. "Temos que pensar bem, pois são muitas pessoas envolvidas".

Diante dos casos e mortes por Covid-19 registrados nos últimos três meses e levando em consideração o número de alunos em Prudente, a maioria dos órgãos presentes se posicionou contrária ao retorno às aulas presenciais, como o Comed (Conselho Municipal de Educação), Sintrapp (Sindicato dos Servidores Municipais de Presidente Prudente e Região), Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo), o Sintee-PP (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino), bem como diretores da rede municipal. Já o representante das escolas particulares, Antônio Grosso, se mostrou favorável ao retorno das aulas presenciais.

Em documento ao qual a reportagem teve acesso, o educador Antônio Mello, diretor do Colégio Braga Mello, defende que "as crianças estão sendo privadas de seus direitos básicos previstos nas leis brasileiras, ficando expostas à violência familiar, violência sexual, problemas psicológicos graves e moderados, falta de acolhimento, carência afetiva e ineficiência na aprendizagem remota". Além disso, com o retorno dos pais ao trabalho, "ocorre a multiplicação dos 'tomadores de conta', isto é, pessoas que estão 'acomodando' crianças em suas casas para cuidar no período de trabalho dos pais". O documento aponta que as escolas particulares estão preparadas para receber seus alunos, "seguindo os melhores protocolos".

Consulta às famílias

A Seduc pontua ainda que nesta quarta-feira será entregue uma prévia ao Executivo da consulta que a Seduc segue realizando com os pais de mais de 19,2 mil alunos da rede municipal, bem como com os mais de 2,2 mil servidores que atuam nas unidades escolares.

Entretanto, a secretária Sônia Pelegrini adianta que, independentemente do retorno das aulas presenciais ou não, o Comitê Municipal de Retorno às Aulas, instituído pelo Decreto 31.109/2020, seguirá atuando frente aos protocolos sanitários contra a Covid-19. "Como dependemos da aquisição de equipamentos e insumos, temos de manter este trabalho, pois, com ou sem vacina, os protocolos de higienização terão continuidade. Por isso, o comitê está instituído, para tomarmos providências antecipadas", conclui.

Além dos órgãos e pessoas já citadas, participaram ainda da reunião representantes das secretarias municipais de Assistência Social e Cultura, do Sesmt (Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho), Conselho Municipal do Fundeb (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica), CAE (Conselho de Alimentação Escolar), Diretoria de Ensino da Região de Prudente, bem como o promotor do núcleo do Geduc (Grupo de Atuação Especial de Educação) em Prudente, Marcos Akira, e o médico infectologista Alexandre Portelinha.

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