Saldo da balança comercial da região cai 25,7%

“O que precisamos nesse momento é retomar o nível de confiança para manter preços bons e condições melhores", afirma.

PRUDENTE - Mariane Gaspareto

Data 08/05/2015
Horário 08:31
 

O saldo da balança comercial da região (valor das exportações subtraído o das importações) no 1º trimestre de 2015, mesmo sendo superavitário em US$ 140.119.627, apresentou uma queda de 25,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o montante registrado foi de US$ 188.472.322. O levantamento foi elaborado pelo Depecon (Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas) e pelo Derex (Departamento de Relações Exteriores) do Ciesp/Fiesp (Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). No ranking das diretorias regionais do Ciesp, em relação ao saldo da balança comercial, Prudente ocupa a 11ª posição, atrás de Marília (cujo desempenho comercial foi de US$ 157.879.185) e antes de Franca (US$ 83.752.654).

A região ocupa o 23º lugar no ranking sobre a participação das 39 diretorias paulistas nos US$ 11,9 bilhões da pauta exportadora estadual, responsável por 27,8% do montante vendido pelo Brasil no mercado global no 1º trimestre. A remessa de produtos ao exterior dos 65 municípios da regional do Ciesp de Prudente, por sua vez, caiu 26,4% em relação ao mesmo período de 2014, passando de US$ 202.669.006 para US$ 152.854.574.  Já as importações caíram 10,3%, passando de US$ 14.196.684 para US$ 12.734.947.

Para o diretor regional do Ciesp/Fiesp, Wadir Olivetti Júnior, o que influenciou na queda da região foi o momento de crise enfrentado, gerando "falta de confiança dos compradores externos em relação ao país". Conforme ele, o mercado internacional, ao saber dos problemas internos do país relacionados à política e economia, se sente inseguro para adquirir os produtos nacionais. "O que precisamos nesse momento é retomar o nível de confiança para manter preços bons e condições melhores", afirma.

 

Exportações


Nas exportações da região, os destaques foram os açúcares e produtos de confeitaria (US$ 60,9 milhões); peles, exceto a peleteria (peles com pelo), e couros (US$ 20 milhões); carnes e miudezas, comestíveis (US$ 19,2 milhões). No entanto, segundo o diretor administrativo da Usalpa (Usina Alta Paulista) de Junqueirópolis, Gustavo Barros, apesar de ser o produto mais exportado pela região, o açúcar não está com bons preços.

"Nós paramos desde o ano passado de fazer açúcar e só voltaremos quando o mercado externo cotar melhor o produto. O que acontece é que nós temos muitas usinas na região que vendem muito açúcar, como a Usina Rio Vermelho e a Usina Alto Alegre, então elas continuam produzindo e exportando", diz Barros. Além do problema mercadológico, um fator que influi na situação do açúcar, hoje, é a logística de transporte, segundo o diretor.

"Nós estamos mais longe dos portos de Santos do que outras regiões, que pagam menos para exportar e acabam tendo um desempenho comercial melhor por isso. Como só temos rodovia, e o preço do frete subiu por conta do imposto no diesel e aumento nos pedágios, fica caro exportar", afirma Barros. Dessa forma, para ele, a reativação das ferrovias (modal mais barato para o translado das cargas) traria benefícios para as empresas regionais que buscam exportar produtos.

Como noticiado por este diário ontem, a Justiça Federal determinou que a ALL (América Latina Logística), concessionária responsável pela malha ferroviária regional, reative em quatro meses a via férrea. No entanto, o diretor regional do Ciesp/Fiesp salienta que não basta reativar a ferrovia, pois as exportações regionais são sazonais. "Nós produzimos somente em algumas épocas do ano, e ferrovia precisa de movimento todos os dias. Portanto, o panorama só poderia mudar se as instituições políticas se reunissem com as civis e traçassem um planejamento em longo prazo para o desenvolvimento tanto da indústria quanto da agricultura na região", considera.

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