A programação da Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne), realizada em Presidente Prudente, reforçou nesta quarta-feira o compromisso do evento com as necessidades práticas do pecuarista. Com o tema “O boi brasileiro: um mundo de oportunidades”, a edição de 2026 propõe discutir como o Brasil pode transformar sua vocação pecuária em resultado econômico, especialmente em um momento marcado por mudanças no mercado global, oscilações climáticas e novos desafios dentro da porteira.
O curador de conteúdo do eixo pecuária da Feicorte, Diede Loureiro, destacou que o tema central da feira foi escolhido justamente para fazer essa conexão com o momento atual do mercado setorial.
“Vivemos um período de muita instabilidade, com guerras, mudanças no sistema de produção e efeitos climáticos que afetam diretamente a atividade. Por isso, iniciamos a programação tratando de mercado para ajudar o produtor a entender o cenário, reduzir o pânico e ampliar a informação”, explicou.
Na avaliação dele, discutir produtividade sem falar de eficiência econômica já não é suficiente para a realidade do campo. “Não adianta produzir mais, porém sem eficiência econômica e alimentar. O mercado está pedindo produtividade com resultado. Se o produtor fizer o que o mercado quer, o mercado compra dele”, afirmou.
A proposta da programação, segundo Loureiro, é oferecer ao pecuarista uma visão integrada da atividade, abordando desde os fundamentos do mercado até soluções aplicadas ao dia a dia da produção.
Temas como valorização do bezerro, desenvolvimento animal, eficiência alimentar, recria, engorda e o uso de tecnologias na fazenda compuseram a agenda do segundo dia, pensada para apoiar decisões com impacto direto sobre desempenho e rentabilidade.
“É por isso que a Feicorte é chamada de ‘o ponto de encontro da cadeia produtiva da carne’. Aqui o produtor encontra parâmetros para entender o primeiro semestre e se preparar para o segundo. A fazenda está em atividade todos os dias e não espera o amanhã, portanto, em um ano de tantas incertezas, estar bem-informado faz toda a diferença”, concluiu.

Foto: Feicorte - Diede Loureiro, curador de conteúdo do Fórum Feicorte
A programação do dia reuniu debates sobre mercado, eficiência produtiva, genética e tecnologias aplicadas à fazenda, consolidando o papel da feira como espaço de atualização e preparo para que o produtor tome decisões mais seguras em um cenário de instabilidade.
Abrindo as apresentações do dia, o consultor e gestor de Hedge da StoneX, Gustavo Machado, abordou um tema cada vez mais estratégico para a atividade durante o Fórum Feicorte. Em sua apresentação “Parâmetros para hedge”, ele destacou a importância do uso de ferramentas de hedge para proteção de preços em um mercado marcado pela volatilidade.
Durante a palestra, Machado explicou que a principal vantagem da estratégia é permitir ao pecuarista definir antecipadamente o preço de venda dos animais, reduzindo a exposição às oscilações do mercado físico.
As discussões de mercado e tendências seguiram com o pecuarista Luiz Roberto Saalfeld, que destacou a evolução do perfil do consumidor e os desafios para atender um mercado cada vez mais exigente durante a palestra "O que o mercado exige da fazenda”.
O sócio-proprietário do frigorífico Coqueiro compartilhou sua trajetória no setor e destacou que a pecuária moderna precisa olhar além dos indicadores tradicionais de produção. Segundo ele, temas como arroba, custos, eficiência e produtividade continuam fundamentais, mas já não são suficientes para garantir espaço no mercado.
Uma das principais discussões em torno da sustentabilidade na agropecuária é quem arcará com os custos dessa transformação. Em um cenário de crescente pressão da sociedade por mais transparência nas cadeias produtivas, o tema ganha cada vez mais espaço nos debates do setor, como destacou o especialista em Nutrição Animal, Carlos Alberto Tolentino, na palestra “Quem vai pagar pela sustentabilidade?”.
No ambiente da pecuária moderna, a discussão sobre ESG (governança ambiental, social e corporativa) e sustentabilidade muitas vezes chega ao produtor associada apenas ao aumento de custos e exigências. No entanto, Tolentino realçou que a construção de uma pecuária de baixo carbono deve ser encarada como uma oportunidade para gerar mais produtividade e rentabilidade dentro das propriedades.
Essa busca por produtividade e melhores resultados na atividade pecuária também esteve em pauta na palestra “Pecuária inteligente: da eficiência do manejo ao resultado”, do engenheiro agrônomo e proprietário da Cost@ Consultoria e Assessoria Pecuária, Fernando Nemi Costa. Ao longo da apresentação, o especialista destacou que o confinamento deve ser encarado como uma atividade industrial, em que cada etapa do processo influencia diretamente o resultado econômico da operação.
O empresário e diretor da Nonino Implementos Rodoviários e Agrícolas, Mauro Nonino, conduziu a palestra “O produtor do amanhã: tendências que já impactam o campo”, que destacou a importância em buscar maior eficiência e competitividade na pecuária moderna.
O executivo destacou que as transformações mais significativas da pecuária já estão em curso e que o futuro da atividade será determinado pela capacidade dos produtores de integrar tecnologia, dados e eficiência operacional aos sistemas produtivos. Segundo ele, a pecuária de 2030 já começou a ser construída nas propriedades que investem em inovação, conectividade e gestão baseada em indicadores.
A importância do planejamento reprodutivo para a rentabilidade da pecuária foi debatida pelo especialista em reprodução animal e pecuária de precisão, Luciano Penteado, que conduziu a palestra “Bezerro valorizado nasce na estratégia”. Em sua apresentação, Penteado destacou como decisões técnicas, gestão reprodutiva e ferramentas tecnológicas influenciam a qualidade dos animais, a valorização dos bezerros e o desempenho econômico da cadeia da carne.
Compreender as mudanças de comportamento da atividade será decisivo para o crescimento da produção brasileira. Na palestra “O mercado de corte norte-americano e as oportunidades fora dele”, o médico-veterinário Luis Burciaga, palestrante internacional do Canadá, ofereceu uma análise sobre os principais fatores que vêm influenciando a produção mundial de carne e os reflexos para a pecuária brasileira.
Representando a Telus Agriculture & Consumer Goods, consultoria global especializada em confinamento e gestão da produção pecuária, Burciaga apresentou um panorama dos mercados dos Estados Unidos, México e Canadá, além de destacar oportunidades e desafios observados em países emergentes da produção de proteína animal, como China e Mongólia.

Foto: Feicorte - Luis Burciaga, palestrante internacional do Canadá
O 3º Leilão Confraria da Carcaça Nelore abriu a rodada de negócios da Feicorte de 2026 na noite de terça-feira, na Arena Feicorte. O remate distribuiu reprodutores, matrizes e aspirações para criadores de 14 Estados brasileiros.
Os negócios acompanharam a alta demanda por genética focada no rendimento de carne. “Alcançamos médias de R$ 56 mil para as fêmeas e R$ 72 mil para os machos, consolidando este como o melhor leilão que já realizamos. O nível dos animais estava elevado e o mercado entendeu esse diferencial”, ressaltou o diretor comercial da Confraria da Carcaça Nelore, Fabio Almeida Filho.
Serviço
Feicorte - Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne
Data: 23 a 26 de junho de 2026
Horário: 8h às 22h
Local: Recinto de Exposições Jacob Tosello, em Presidente Prudente
Inscrições e informações: www.feicorte.com.br