Seria o Cinema o Professor do Mal?

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da laranja e contra os laranjas

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 15/09/2020
Horário 05:30

Começo com a pergunta do título da crônica: seria o cinema o professor do mal? Para o crítico Rubens Ewald Filho, que já foi embora deste insensato mundo e fará falta, o cinema pode ser, sim, o professor do mal. Gênio da raça e baita crítico, Rubens entendia do riscado e sabia do que falava.
Evidente que Rubens Ewald Filho referia-se aos filmes com doses cavalares de violência, verdadeiros banhos de sangue. Ou rios de sangue. Basta conferir, por exemplo, os filmes do Tarantino, onde o sangue jorra pra mais de litro.
Na vida real, os bandidos podem maltratar suas vítimas com requintes de crueldade que viram - e aprenderam - nos filmes. Não vou citar exemplos porque tudo isso é triste e deprimente. 
É por isso que o crítico afirmava que o cinema pode ser o professor do mal. Rubens Ewald Filho tinha razão. Afinal, certos filmes começam com tiroteio. Só depois é contada uma história violenta, sem pé nem cabeça. Alguém aí na plateia ousa discordar?
Um caso emblemático: Lee Harvey Oswald teria se inspirado no filme "Meu Ofício é Matar", com Frank Sinatra, para assassinar o presidente John Kennedy. No filme, produzido em 1954 e tido como premonitório, Sinatra interpreta um psicopata que tenta matar o presidente americano com a ajuda de dois comparsas. 
Dizem que Oswald assistiu ao filme dias antes de atirar contra Kennedy, se é que foi ele mesmo o atirador. Então, o cinema pode, sim, ter esse lado obscuro e sinistro, ou seja, o de professor do mal, como alertou Rubens Ewald Filho.
Como todo crítico que se preze, Rubens também tinha sua lista dos melhores filmes de todos os tempos e, assim de supetão, lembro-me que ele incluiu "ET O Extraterrestre" entre os 100 mais. Se não me engano, o filme do Spielberg ocupa o 82º lugar.
Quando o assunto era o Oscar, ele tirava de letra e isso numa época em que ainda não havia o doutor Google para nos ajudar nas pesquisas. Não faz muito tempo o Rubens disse que já tinha assistido mais de 8 mil filmes. Presumo que ultrapassou 12 mil.
Entre esses filmes um em especial: "Casablanca", um dos dez melhores filmes de todos os tempos na minha modesta opinião. Há muito tempo atrás, quando a Globo exibiu Casablanca, o Rubens, no “Jornal da Tarde”, recomendou o filme estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, com a seguinte observação: "Preparem os lenços". 
Humilde, ele falava da importância de Dulce Damasceno de Brito, jornalista que por muito tempo foi correspondente nos Estados Unidos e realizou um ótimo trabalho sobre Hollywood, que estava em sua época de ouro (hoje é época de bronze). Para Rubens, ela foi uma pioneira que inspirou os futuros críticos brasileiros. Ótima inspiração, ambos prestaram um excelente serviço divulgando a chamada Sétima Arte, hoje cheia de "arteiros".

DROPS

Feriado que cai no domingo é igual olho verde em gente feia: não adianta nada.

Era tão viciado em maconha que fumava até baseado em fatos reais.

Filme da semana no Cine Brasil: As Melindrosas, estrelando Morinha, Deltinha e Fernanda Cardoso.

Não tem hacker nas denúncias do Intercept. Tem fonte, um direito constitucional.
 

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