Socorro… alucinei!

Giselle Tomé

CRÔNICA - Giselle Tomé

Data 04/04/2026
Horário 04:06

Cadê a minha autoria?

Hoje o uso da Inteligência Artificial, “carinhosamente” chamada de IA, é super recorrente, principalmente como ferramenta. Na escrita, utilizo muito para revisão de textos e confesso: é viciante. Otimiza o tempo, agiliza processos, nos libera para outras etapas, mas tem uma coisa que eu nunca deixo de defender: a autoria. O nome que assina.
Outro dia, escrevi um material e pedi apenas a revisão do conteúdo. Analisei, ajustei o que considerei pertinente. E depois, como curiosa que sou, resolvi testar um detector de IA. Coloquei o texto, o meu texto, que tinha passado por revisão, sem alteração de conteúdo direto.
Fui lá e testei. Resultado: 75% feito com IA. Repeti o teste, mas agora com um texto, 100% genuíno, sem passar por nenhuma análise de IA. Resultado: 87% “parece” ter sido feito por IA. Alucinou total.  Fiquei pensativa. Caramba… agora eu tenho que provar que o material é meu? Que fui eu que fiz? E agora? Refleti... disponibilizei um conteúdo ainda inédito para avaliação, abasteci seu banco de dados, mas isso ela não mostra, nem leva em conta (risos).
O mais curioso veio depois. Após a análise, ela sugeriu que eu removesse os “traços de IA”. Para isso, bastava clicar em um botão: reescrever sem IA. Um tal de “humanizador de IA”. E eu cliquei para ver até onde aquilo iria.
Ela começou a perguntar: tom objetivo ou acadêmico? Linguagem clara e direta ou mais poética? E, enquanto isso, ia gerando o material. E eu ali, olhando e pensando: é uma IA tirando a IA… o que tem de humano nisso? Ah, detalhe: para a realização dessa “manobra humanizadora”, precisa pagar uma mensalidade. 
A reflexão que ficou foi outra: em que momento a IA se confunde com a IH (Inteligência Humana)? Usar uma ferramenta para otimizar o material me faz perder a autoria? O texto é meu. A decisão sobre ele também é minha, mas então… se a IA analisa, corrige e depois “humaniza”, isso deixa de ser uso de IA? Olha aonde chegamos!
Inconformada, procurei outra IA para entender melhor a questão da autoria. Ela me tranquilizou: disse que, se o texto é meu, e se ela apenas sugeriu ajustes que eu revisei e aprovei, a autoria continua sendo minha.
Opa… alívio. Ou não? Porque, no fim das contas, a resposta que me acalmava também veio de uma IA. E talvez a pergunta mais honesta não seja mais “posso confiar nela?” ...mas sim: até que ponto eu preciso que ela me diga que aquilo que eu escrevi… é meu?
Tudo isso me fez pensar que talvez a questão não seja só sobre autoria, mas sobre confiança. Confiança no que eu escrevo. Confiança nas minhas escolhas. Porque, no meio de tanta tecnologia, talvez o maior risco não seja perder a autoria...e sim, nos perder. 

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