Lembro-me dos degraus do Campus 1 da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), que me conduziram à sala de aula no meu primeiro dia no ensino superior. Subi cada um deles com o coração acelerado e a cabeça baixa, tamanha era a timidez. Começar a faculdade era algo mágico: eu iniciava ali minha trajetória profissional. E isso também era assustador, afinal eu tinha apenas 17 anos, prestes a completar 18.
Dentro de mim conviviam alegria, emoção, nervosismo e um mundo de perguntas sobre o futuro. Eram mais incertezas do que certezas. “Será que escolhi certo? Será que é isso mesmo que eu quero?”. Ah, bons tempos.
Nesta semana, revivo tudo isso ao olhar para meus alunos dos primeiros termos de Administração, Contábeis e Publicidade. Vejo nos olhos deles o mesmo brilho que um dia foi meu: a curiosidade, a esperança, o desejo de construir algo novo. É o começo de uma história que ainda não sabem como será escrita, mas que já pulsa forte.
Para os mais jovens, tudo é descoberta. Para os mais velhos, há a certeza de que nunca é tarde para recomeçar. E nem sempre a vida permite que a faculdade venha logo após o ensino médio. Alguns precisam trabalhar, outros seguem caminhos inesperados. Mas os sonhos, esses sabem esperar. Voltar a buscá-los é um ato de coragem e de amor por si mesmo.
Sou prova disso ao ver meus alunos começando suas jornadas e ao retomar mais um ano da minha segunda graduação, aos 47 anos. Agora é diferente: há menos incertezas, e isso é muito bom. Voltar para a graduação também é assustador, mas libertador. Assustador porque uma vida cheia de compromissos nos limita; libertador porque sabemos exatamente o que queremos.
No Brasil, chegar ao ensino superior ainda é um privilégio. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2022, apenas cerca de 20% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam matriculados na faculdade naquele ano. Ou seja, apesar do aumento no número de estudantes, a maioria dos jovens ainda não consegue viver esse sonho logo após o ensino médio.
Por isso, todos os dias, ao entrar em sala de aula, reconheço a importância de estar ali ensinando, aprendendo e partilhando sonhos.
Mais do que transmitir conteúdo, tenho nas mãos histórias em construção. E talvez essa seja a maior responsabilidade, e o maior presente, da minha profissão: caminhar ao lado de quem acredita que o futuro começa hoje, degrau por degrau, por meio da educação.