Taxa de mortalidade por doença respiratória cresce 16,84%

Na 10ª Região Administrativa, os 53 municípios que circunscrevem a área apresentaram 738 óbitos em 2015, 849 em 2016 e 860 em 2017; estudo retrata o número de óbitos da população com mais de 60 anos

REGIÃO - WEVERSON NASCIMENTO

Data 12/05/2020
Horário 10:05
Arquivo - Paulo Mazaro recomenda avaliação periódica do aparelho respiratório
Arquivo - Paulo Mazaro recomenda avaliação periódica do aparelho respiratório

A Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou, recentemente, um estudo sobre a taxa de mortalidade por doenças do aparelho respiratório da população com mais de 60 anos, no Estado de São Paulo. Na 10ª RA (Região Administrativa), os 53 municípios que circunscrevem a área apresentaram 738 óbitos em 2015, 849 em 2016 e 860 em 2017. Ao levar em conta a evolução do estudo, a taxa de mortalidade apresentou um aumento de 16,84% dos casos, ao se comparar o ano inicial e o final. O estudo apresenta ainda que o município que registrou a maior soma de óbitos foi a capital regional -Presidente Prudente -, com 621 casos, e Estrela do Norte, com o menor índice, com duas mortes.

Segundo o médico pneumologista Paulo Roberto Mazaro, o aparelho respiratório é exposto ao meio ambiente, poluições e as mais variadas situações no dia a dia. No entanto, além de receber o choque das intempéries, o órgão está sujeito a infecções por vírus e bactérias. Já a população com mais de 60 anos, grupo com maior incidência segundo o estudo, alguns fatores podem associar aos agravos do aparelho respiratório, como a baixa imunidade do indivíduo, metabolismo mais lento e a diminuição das células de defesa do organismo. Tudo isso, segundo o pneumologista, pode tornar o grupo mais suscetível ao problema e, consequentemente, levar ao óbito.

Ainda de acordo com o pneumologista, as doenças respiratórias mais comuns são as infecções viróticas e bacterianas, ou seja, infecções que podem vir desde a traqueia brônquica e se tornar mais grave atingindo o pulmão, ocasionando um quadro de pneumonia que, inclusive, é a decorrência do maior número de óbitos pela doença. “A morte mais comum causada por doenças respiratórias é a pneumonia, que também pode ser a junção de outras patologias e complicações do paciente”. 

Para este grupo retratado no estudo, o pneumologista orienta manter as vacinas em dia, sendo duas delas recomendadas para o não agravo de um quadro de pneumonia e outra, anual, para evitar a decorrência da gripe – além de ter bons hábitos de alimentação e descanso, não submetendo o organismo a situações agressivas do ponto de vista físico. “Além desde cuidados, recomendo uma avaliação periódica do aparelho respiratório, tendo em vista que o órgão recebe todas as intempéries primeiro”.

EVOLUÇÃO

NO ESTADO

No Estado, a Fundação Seade relatou que os óbitos por doenças do aparelho respiratório apresentam tendência nítida de aumento. A população com 60 anos e mais é a mais atingida, respondendo por 85% das mortes por esse grupo de causas. “É relevante a sazonalidade das mortes por doenças do aparelho respiratório. Em 2017, o número médio diário cresceu entre janeiro e julho 53%, quando atingiu o patamar de 135 mortes por dia. Para a população com 60 anos e mais, este número diário variou entre 73 e 116 óbitos”.

O risco de morte por influenza (gripe) e pneumonia, que vitimou 23.390 pessoas no Estado em 2017, é o mais elevado entre as doenças do aparelho respiratório e apresenta aumento expressivo desde 2006. Esse risco se intensifica entre as pessoas com 60 anos e mais, explica a Fundação Seade. Em 2017, a taxa de mortalidade por influenza e pneumonia, entre idosos, foi 27 vezes maior do que na população de 15 a 59 anos e 79 vezes superior à de menores de 15 anos.

MORTALIDADE NA 10ª REGIÃO ADMINISTRATIVA

Localidades

Óbitos

2015

2016

2017

Adamantina

34

31

35

Alfredo Marcondes

5

6

6

Álvares Machado

12

11

20

Anhumas

5

4

3

Caiabu

4

5

7

Caiuá

3

3

4

Dracena

45

43

38

Emilianópolis

2

3

1

Estrela do Norte

0

1

1

Euclides da Cunha Paulista

8

6

5

Flora Rica

3

3

3

Flórida Paulista

10

13

15

Iepê

10

8

10

Indiana

3

9

9

Inúbia Paulista

9

5

2

Irapuru

11

12

15

Junqueirópolis

24

25

25

Lucélia

17

15

12

Marabá Paulista

3

3

4

Mariápolis

3

3

8

Martinópolis

36

38

20

Mirante do Paranapanema

18

19

14

Monte Castelo

7

10

7

Nantes

1

3

6

Narandiba

2

4

5

Nova Guataporanga

3

3

4

Osvaldo Cruz

30

38

56

Ouro Verde

4

8

14

Pacaembu

11

16

20

Panorama

11

8

8

Pauliceia

1

3

3

Piquerobi

2

1

2

Pirapozinho

20

19

22

Pracinha

3

2

 

Presidente Bernardes

7

11

17

Presidente Epitácio

25

40

37

Presidente Prudente

180

236

205

Presidente Venceslau

36

44

52

Rancharia

32

33

35

Regente Feijó

15

16

13

Ribeirão dos Índios

2

2

1

Rosana

10

9

13

Sagres

2

4

3

Salmourão

5

1

4

Sandovalina

4

3

4

Santa Mercedes

5

2

2

Santo Anastácio

12

15

19

Santo Expedito

2

3

2

São João do Pau d'Alho

2

5

2

Taciba

4

7

5

Tarabai

4

3

7

Teodoro Sampaio

10

15

11

Tupi Paulista

21

19

24

TOTAL

         738

849

860

Fonte: Fundação Seade

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