Testemunho batismal

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 10/01/2021
Horário 05:05

Cada fiel batizado é missionário. Não se pode simplesmente renunciar a este ministério. Contudo, Bento XVI ao convocar o Ano da Fé em 2011, constatou “que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (Porta Fidei, 2).

Também Bento XVI ensinou que “no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus é amor, 1). Nessa linha, o papa Francisco recorda que “a Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (A Alegria do Evangelho, 1). A alegria é expansiva, contagiante; deve ser um distintivo do crente. A alegria do encontro é tão profunda que daí decorre a autêntica testemunha do Senhor. Fala daquilo que viu, ouviu, sentiu e experimentou.

O testemunho será sempre uma força propulsora no anúncio do evangelho, no resgate e fortalecimento da fé. A primeira e poderosa forma de evangelização é o testemunho da vida. São Paulo VI já notara em 1975 que “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres... ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” (Evangelii Nuntiandi, 41). É sabido que no dia a dia a única página do evangelho que muitos têm à disposição é o comportamento do crente.

A comunidade cristã primitiva crescia pelo testemunho de amor com que os seus membros se cuidavam uns dos outros. Entretanto, há nesse sentido, um intrigante ensinamento de Jesus que, à multidão e aos discípulos, disse: os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés [são doutos na Lei]. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem” (Mt 23,2s). Que ninguém deixe de viver a alegre experiência do encontro com Jesus e de permanecer unido a Ele por causa da prática infeliz de alguns poucos.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

Veja também