Trânsito mata e exige mais consciência

EDITORIAL -

Data 18/03/2026
Horário 04:15

O aumento pode parecer discreto nos números, mas carrega um peso significativo na vida real. Em Presidente Prudente, a elevação de 21 para 23 mortes no trânsito entre 2024 e 2025 não é apenas uma estatística: são vidas interrompidas, famílias devastadas e histórias que não terão continuidade.
Os dados revelam uma aparente estabilidade, os acidentes com vítimas passaram de 830 para 834 no mesmo período, mas essa “estabilidade” não pode ser interpretada como algo positivo. Pelo contrário, ela evidencia que, apesar de campanhas educativas, fiscalização e avanços na legislação, o comportamento no trânsito ainda não evolui na mesma velocidade que deveria. A média mensal de ocorrências reforça esse alerta: praticamente 70 acidentes com vítimas por mês, além de quase duas mortes mensais.
O diagnóstico apresentado pelo 18º BPM/I é técnico ao apontar uma variação pequena nos indicadores. No entanto, sob o olhar humano e social, qualquer aumento, por menor que seja, representa um retrocesso. Afinal, quando se trata de vidas, o único número aceitável deveria ser zero.
É importante destacar que, mesmo sem registros de homicídio doloso no trânsito nos últimos dois anos, a ausência de intenção não diminui a gravidade das consequências. A imprudência, a distração, o excesso de velocidade e o desrespeito às leis continuam sendo fatores determinantes para tragédias evitáveis.
Mais do que cobrar ações do poder público, é preciso um chamado urgente à consciência individual. Motoristas mais conscientes não são apenas aqueles que conhecem as regras, mas os que as praticam diariamente, entendendo que cada decisão ao volante pode ser a diferença entre a vida e a morte.
O trânsito é um espaço coletivo, onde a responsabilidade também deve ser compartilhada. Reduzir esses números não depende apenas de estatísticas ou relatórios oficiais, mas de atitudes concretas: dirigir com atenção, respeitar limites, evitar o uso do celular e, acima de tudo, valorizar a vida.
Enquanto os números continuarem a subir, ainda que timidamente, será sinal de que ainda há falhas. E, nesse cenário, cada segundo de imprudência pode custar uma existência inteira.
 

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