Transitoriedade

Sigmund Freud, em 1916 [1915], escreveu “Transitoriedade”. Como todos os seus demais textos, esse é fantástico! Impossível ficar só para mim. Divido com vocês, leitores, um fragmento, apenas. Ele fala sobre o transitório, passagens, cesuras e, sobretudo, como tudo é passageiro. E nos deixa recados. A finitude, algo tão difícil de elaborar. O inconformismo sobre o luto de um ente familiar. Penso muito sobre o presente, e a experiência emocional de vivências do aqui e agora.  
O eterno é o “agora, hoje e o aqui”. A beleza da flor é o agora, aqui e o momento. Não desperdicem. Diz assim, para todos nós, “Não faz muito tempo, Freud empreendeu, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem, mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadada a transitoriedade”. 
Freud relata que, “Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor. Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor de escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição (usufruto de vantagem). Quanto à beleza da natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, de modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência (fugaz ou efêmero), porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. O valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independente, portanto da duração absoluta”. 
O tempo é relativo. Há experiências emocionais, que são eternas. Tudo dependerá ao valor que atribuímos às nossas vivências e experiências. Estamos ali, de corpo e mente presentificados?
 

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