Um em 7,8 bilhões

OPINIÃO - Jair Rodrigues Garcia Júnior

Data 18/04/2020
Horário 04:33

Apenas os epidemiologistas poderiam vislumbrar remotamente uma pandemia como esta atual. Sequer os médicos e outros profissionais de saúde poderiam imaginar uma crise de saúde de tal magnitude em pleno século XXI.

Aliás, os epidemiologistas, mesmo sendo da área de saúde, são especialistas numa subárea de exatas, a estatística. Para eles, é uma ferramenta indispensável para coleta, análise e interpretação de dados de fenômenos naturais, possibilitando a estimativa de probabilidades.

A maioria de nós está lendo pela primeira vez termos como taxa de infecção, de mortalidade, curva epidemiológica, pico epidêmico, etc., em razão da Covid-19, porém, os epidemiologistas usam esses termos em sua rotina, mas em menor magnitude.

E há muitos números. O site https://ncov2019.live registra 2.178.149 casos confirmados e 145.331 mortes de Covid-19. A partir destes números e da população mundial de 7,8 bilhões de pessoas, podemos apresentar dois índices: 27,9 infectados/100 mil habitantes e 1,9 mortos/100 mil habitantes. Para Presidente Prudente, com 6 confirmações e 2 mortes, os índices são de 2,7 infectados/100 mil habitantes e 0,9 mortos/100 mil habitantes. Para uma comparação fria, o índice anual de homicídios no Estado de São Paulo (menor do Brasil) é de 6,4/100 mil habitantes.

O que se apresenta acima e nas tabelas e gráficos abundantes nos jornais, TV e internet são dados estatísticos, inevitavelmente impessoais e frios. Puramente números.

Mas pense que, destes 145.331 mortos no mundo, esse “1” final seja uma pessoa conhecida, um familiar que morava em sua casa, com rosto, nome, apelido carinhoso, que lhe contava piadas e sorria, que te chamava para um lanche, uma cerveja no final e semana, que tinha uma data de aniversário que estava se aproximando, que tinha uma rotina, planos para o futuro, tinha filhos (talvez netos, pais, irmãos, etc.) e ... muitos anos de vida pela frente.

Essa pessoa deixou de ser um número, passou a ser motivo de muita tristeza para seus próximos e talvez não tivesse “sido somada” aos demais números se ela e os familiares tivessem respeitado as recomendações dos epidemiologistas e médicos, que podem analisar a gravidade mais concretamente, pois estão literalmente frente a frente com os infectados e mortos.

 

 

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