Uma praia cheia de histórias 

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 06/01/2026
Horário 06:00

Uma manhã na praia, cinco horas de sol, três cervejas e 1.567 julgamentos da vida alheia porque é de lei. 

A menina adolescente
Emburrada e com celular na mão. Não achou graça em absolutamente nada do que aconteceu ao redor. A mãe tentou alertar para que ela aproveitasse, mas só recebeu de volta um “Ai, que coisa, mãe. Não quero”. A vida só melhorou um pouco quando ela entrou em chamada com as amigas e elas identificaram um boyzinho bem ao lado. Mas durou pouco. Logo, ela emburrou de novo. 

O macho alfa 
O único trabalho dele foi pegar uma cadeira, sentar quase que esparramado e pedir uma
cerveja para a mulher. Os filhos, o guarda-sol, a comida e a bebida de todos, nada era responsabilidade dele mais. Uma hora soltou uma bela frase: “Já trouxe vocês aqui, então me deixem em paz”.

A mãe Quero-Quero
Conhece o passarinho Quero-Quero? Um bichinho super estressado. Não pode passar perto que ele reclama e ao mesmo tempo tem um ritmo frenético. Não para. E a mãe ia nesta toada, para lá e para cá, olhos eternos nos filhos para que nenhum deles se perdessem e vez ou outra tinha que pegar cerveja para o maridão. Ia ter paz algum momento? 

O good vibes
Ele chegou sozinho. Abriu o guarda-sol com a marca de cerveja. Estendeu uma esteira de palha, daquelas que só quem viveu os anos de 1980 e de 1990 como eu poderia identificar. Deitou de barriga para baixo e ali ficou. Uma, duas horas. Acordou, puxou um cigarro e abriu uma latinha. Curtiu o vento, foi até a água e entrou só até os joelhos. Depois deitou de novo e assim foi até quando o sol deixou. Praia de hoje, check!

O observador 
Entre uma e outra observação, um comentário. Ninguém notava sua arte. Mas pudera, ele não tinha o ar do bisbilhoteiro, mas de um estudioso de almas. Adivinhava profissões, jeitos e gostos, olhares e palavras. Lia lábios e fotografava todos que podia em sua retina treinada. Suas observações eram certeiras? Quase nunca. ”Mas imaginar é bom. É tornar visível o que podemos enxergar”, dizia tranquilo. E assim o tempo passava e ele colecionava histórias. 
Opa, esse aí sou eu! 

Feliz 2026 para todos nós! Com muita imaginação!

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