Uma reflexão sobre o que é funcionalidade e incapacidade

OPINIÃO - Maria Júlia Lopez Laurino

Data 15/05/2026
Horário 04:30

Uma lesão ou doença pode alterar significativamente o dia a dia de alguém. Mas o que muitas vezes é negligenciado é o papel facilitador ou limitador que o ambiente exerce nesse processo.
Quando nos deparamos com uma doença, surgem perguntas e angústias: “Vou conseguir mexer o braço?”, “vou conseguir andar?”, “vou poder trabalhar?”, “como vou cuidar de fulano desse jeito?”, “minha vida não vai mais ser a mesma?”. Em um primeiro momento, fica evidente aquilo que não é mais possível realizar da mesma forma ou a função que foi afetada. É assim que se definem as deficiências e limitações.
Nesse contexto, um termo bastante utilizado é “funcionalidade”. Ele abrange as funções do corpo, as atividades que desempenhamos e os contextos nos quais participamos. Em outras palavras, ser funcional é conseguir realizar, com autonomia e independência, tarefas de autocuidado, alimentação, atividades domésticas e de trabalho, além de participar de momentos de lazer, convívio social e vida em comunidade.
Diante disso, uma pergunta importante deve ser feita: apesar da minha limitação, o que eu ainda consigo desempenhar? Quais adaptações podem favorecer minha funcionalidade? Afinal, funcionalidade não significa ausência de limitações, mas a capacidade de realizar atividades e participar da vida social, mesmo que com adaptações.
Uma pessoa que utiliza uma cadeira de rodas motorizada e consegue se locomover com autonomia para suas atividades cotidianas é funcional. Da mesma forma, alguém que utiliza um dispositivo eletrônico para se comunicar, ou adaptações para se alimentar e se vestir, também preserva sua funcionalidade.
Essa breve reflexão nos leva a um ponto central: muitas vezes, a incapacidade não decorre apenas da doença em si, mas também do ambiente em que a pessoa está inserida. Barreiras físicas, falta de acessibilidade e ausência de recursos adequados podem limitar mais do que a própria condição de saúde.
Atualmente, existem diversos dispositivos e tecnologias capazes de adaptar tarefas do dia a dia e ampliar a autonomia das pessoas. No entanto, essa ainda é uma visão pouco difundida, o que faz com que muitos indivíduos convivam com limitações que poderiam ser minimizadas com ajustes relativamente simples no ambiente.
Mas quem procurar para receber esse tipo de orientação? Fisioterapeutas são profissionais habilitados para avaliar as funções físicas e do movimento. Já terapeutas ocupacionais atuam na identificação das limitações nas atividades do cotidiano e do trabalho, além de desenvolverem estratégias e adaptações individualizadas. Ambos podem auxiliar na adaptação do ambiente doméstico e profissional, a fim de favorecer a funcionalidade.
Atualmente, somente tratar doenças não devolve a vida, é necessário promover funcionalidade, para possibilitar que as pessoas continuem vivendo suas vidas com autonomia, participação e dignidade.

Publicidade

Veja também