Variante da Covid: Prudente envia amostras para análise em São Paulo

Prefeitura informa que está em alerta para a possibilidade da chegada da mutação conhecida por P1, visto que Dracena já confirmou ao menos nove casos da variante 

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI

Data 09/03/2021
Horário 04:12
Foto: Itamar Crispim/Fiocruz
Prefeitura enviou para São Paulo amostras para confirmar ou não variantes no município
Prefeitura enviou para São Paulo amostras para confirmar ou não variantes no município

A Prefeitura de Presidente Prudente confirmou ontem para a reportagem que a VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal) encaminhou via Instituto Adolfo Lutz, para São Paulo, amostras que deverão apontar se o município já conta com a presença de variantes da Covid-19. Mesmo sem detalhes de quantas amostras foram coletadas ou de quantos casos podem entrar nessa espécie de “suspeita” para a nova cepa, a administração garantiu estar em alerta para a situação, visto que o oeste paulista já conta com a presença da variante P1, como é o caso de Dracena, que na sexta-feira confirmou ao menos nove casos da mutação do vírus. “A pasta da Saúde está preocupada, visto que estudos demonstram que essa modificação possui maior capacidade de transmissão”, alerta. 
Não é de hoje que o país fala sobre variantes da Covid-19 e os riscos que elas podem causar neste cenário pandêmico. No entanto, recentemente, um município da região, Dracena, confirmou a existência da variante conhecida por P1 em pelo menos nove de 10 amostras coletadas na cidade, o que fez com que toda a região de Presidente Prudente voltasse os olhos para entender, na prática, o que isso significa. De maneira geral, o infectologista André Luiz Pirajá da Silva alerta que esta é uma variante mais transmissível, o que requer ainda mais cuidados. 
“O vírus tem um material genético que é modificado. À medida que essa modificação ocorre, ele cria um novo vírus, e essa nova cepa ao aparecer repetidamente, torna-se, então, uma variante”, afirma o médico. Em especial nessa variante P1, Pirajá comenta que, em uma explicação simples e rápida, é possível dizer que a cepa mudou a sua proteína, o que facilita a entrada do vírus na célula. “Essa proteína é utilizada pelos nossos anticorpos para reconhecer o vírus, e com essa modificação da ‘capa’ do vírus, fica mais difícil do anticorpo reconhecer essa variante, o que, consequentemente, a torna mais transmissível”. 
Em relação às vacinas existentes hoje no Brasil, o infectologista reforça a informação de que elas são as únicas soluções para o combate à pandemia, e lembra que, inclusive, há alguns estudos que mostram que uma das vacinas, por exemplo, a de Oxford, já teria uma ação natural contra a variante P1. “De qualquer forma, o uso de máscaras e cuidados com higiene deverão ser mantidos sempre”. 

Variante na região

Conforme noticiado por este diário recentemente, a Prefeitura de Dracena divulgou que foram confirmados casos da variante da Covid-19 no município. Das 10 amostras analisadas, nove apontaram como sendo da variante P1, enquanto que a outra, cujo resultado não comprovou a cepa, trata-se de outra linhagem. Diante deste cenário, em paralelo à confirmação da cepa na cidade, a situação epidemiológica apresentou piora significativa. 
Isso porque, o número de confirmações de novos casos e de registros de óbitos em decorrência da Covid-19 tiveram saltos significativos nas últimas semanas. Em um só dia, para se ter uma ideia, a cidade chegou a registrar sete mortes. Mesmo sem comprovação específica, as autoridades locais temem que os altos números possam estar ligados à presença da variante.

Foto: Arquivo Pessoal

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