“O Silêncio dos Inocentes”

CRÔNICA - Persio Isaac

Data 31/05/2020
Horário 06:07

O papel da vida de Anthony Hopkins ainda não havia chegado. Andava irritado realizando trabalhos para a TV, como fazer comerciais para vender carros da Ford, embora fosse convincente. Hopkins era um purista na representação teatral, mas seus amigos achavam que o reconhecimento do seu talento viria no cinema. O diretor de cinema, Jonathan Demme, era praticamente desconhecido e foi convidado para dirigir “The Silence of the Lambs” (“O Silêncio das Ovelhas”).

Aqui no Brasil, o título foi “O Silêncio dos Inocentes”. O projeto do filme era complicado que começara com um romance, “Red Dragon”, de Thomas Harris, publicado em 1988 e já adaptado ao cinema com o título “Manhunter” e que foi um fracasso de bilheteira. Gene Hackman interessara-se pela ideia e comprara os direitos do livro seguinte de Thomas Harris. Ao ser nomeado para o Oscar em “Mississippi Burning” (“Mississipi em Chamas”), achou demasiado interpretar o sinistro psiquiatra canibal Dr. Hannibal Lecter. Os direitos passaram para a companhia Orion.

O chefe de produções da Orion, Mike Medavoy, estava entusiasmado com esse projeto e já tinha escolhido Michelle Pfeiffer para o papel de Clarice Starling, a agente do FBI que conquista a confiança de Lecter. O ator Robert Duval tinha sido o escolhido para interpretar o Dr. Hannibal Lecter. Mas Jonathan Demme tinha outras ideias e argumentou que Hopkins daria um excelente Lecter. Medavoy argumentou: “John, não podes pôr um inglês (Hopkins é galês) a fazer isso. Está escrito para um americano. Demme insistiu em Hopkins. Jodie Foster foi escolhida para substituir Michelle Pfeiffer, que se afastara devido ao terror contido na história. Segundo Demme, “ela não teve estômago para o lado sombrio”.

Para dizer a verdade, eu teria rastejado por cima de vidros partidos por aquele papel, confessou Jodie Foster. Demme também achou uma excelente escolha. Nas sessões entre Hopkins e Jodie Foster em NY, Anthony Hopkins disse a arrepiante frase: "Hello Clarice". Ele tinha achado o papel da sua vida e todos ficaram impressionados com Hannibal Lecter que Hopkins construiu. Lecter é traiçoeiro, e é daí que surge o terror – da distorção da humanidade e da inteligência.

Ele explica como se inspirou e criou a voz do terrível Lecter: Tinha de ser distanciada e desencarnada. Por isso, peguei na voz de Hal 9000 o Computador, personagem ficcional da série “Odisséia Espacial”, de Arthur C. Clarke, e foi imortalizado pela adaptação cinematográfica, “2001: Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubric. A voz é fria, mecânica, precisa e assustadora. Assim nasceu o serial killer mais inteligente, mais frio, mais assassino e sedutor da história do cinema. Jodie Foster e Anthony Hopkins formaram uma das melhores duplas do cinema. “O Silêncio dos Inocentes” foi um marco, considerado o melhor filme do gênero e Jonathan Demme se tornou um dos melhores diretores ganhando o Oscar junto com Anthony Hopkins e Jodie Foster.

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