Lar São Rafael

Alunos doam 1,2 mil kg de alimentos para entidade

Iniciativa faz parte do plano de ensino da Escola Estadual de Ensino Integral Doutor Marrey Júnior, que visa incentivar a solidariedade

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 09/11/2018 07:26:00

Estudantes entrevistaram idosos que compartilharam experiência de vida. Foto: José Reis

Em um mundo que vive em sociedade, solidariedade e empatia devem ser parte do tripé de construção cidadã. A Escola Estadual de Ensino Integral Doutor Marrey Júnior, de Presidente Prudente, tem consciência disso e busca concretizar esses valores por meio da “Ginmarrey”. A gincana, agora em sua 4ª edição, possibilitou, durante a manhã de ontem, que 35 estudantes do 7º ano A entregassem alimentos - arrecadados com a comunidade prudentina – para o Lar São Rafael. Ao todo, conforme o vice-diretor Fernando Eduardo da Silva Rego, foram 1,2 mil quilos de produtos essenciais.

A iniciativa faz parte do plano de ensino da instituição e tem como objetivo incentivar a cultura, esporte, autonomia e protagonismo de vida. Em razão disso, durante os meses de setembro e outubro, os 250 alunos da instituição – do 6º ao 9º ano – desenvolveram atividades e, após pontuações, chegaram ao grupo vencedor, que recolheu as demais doações e levou aos 86 idosos da entidade.

De acordo com a diretora da instituição, Débora Maurício Silva, a escolha da entidade deu-se pelo fato de combinar exatamente com o objetivo do projeto que é, conforme explica, juntar solidariedade com independência e ampliar visões de vida. “Além de ser um lugar acolhedor, tem pessoas que já passaram por muito na vida, possuem uma história de vivências e sonhos. A ideia é que conversem com essas pessoas e vejam a importância de sonhar e lutar para essas conquistas e, caso não as alcancem, percebam que existem outros caminhos para seguir vivendo”, expõe.

Os resultados dessa iniciativa já estão surgindo. Segundo o vice-diretor, é notória a evolução dos estudantes desde a primeira edição. Ele explica que se tornam, ao poucos, crianças mais preocupadas com o ambiente em que vivem e com as pessoas com as quais se relacionam. “É mudança de comportamento e conscientização de que ninguém faz nada sozinho no mundo”.

Projeto de vida

Fernando explica que a “Ginmarrey” tem duração de dois meses. Neste período, os estudantes, divididos em oito salas, passam por atividades esportivas, culturais e se organizam para a coleta de alimentos nos bairros de Prudente. “Na parte esportiva desenvolvemos atividades como dança das cadeiras, torta na cara, é uma competição saudável entre as salas e que acumula pontos”, explana.

Quanto aos alimentos, o vice-diretor diz que existe uma tabela de pesos. “Aqueles que arrecadam mais alimentos essenciais [arroz e feijão] ganham mais pontos”, relata. Já na parte cultural, as recreações se baseiam em pesquisas e criatividade. “No tema Halloween que fizemos mês passado, por exemplo, a sala que veio mais caracterizada e foi mais criativa, ganhou mais pontos”, conta.

Tudo isso, no fim, resulta na entrega de alimentos e em uma premiação. “Conseguimos, em parceria com o Sindicato dos Bancários de Presidente Prudente, que cederam o local para que eles passem o dia na piscina. É uma premiação e serve de incentivo também”, pontua Fernando.

Luiz Felipe da Silva Mutti, 12 anos, ao lado dos amigos de sala, ajudou a arrecadar os alimentos. Conforme ele, a experiência nada mais é que lembrar que não somos os únicos a ter problemas no mundo. “Muitas vezes, tem gente que precisa de comida, atenção, é importante ajudar”, acentua. A colega de turma, Raissa dos Santos Miranda, 13 anos, concorda. Participante da “Ginmarrey” desde a primeira edição, a jovem diz estar ansiosa para conhecer o lar. “Gosto de histórias, então, ouvir o que eles têm a dizer é bom”, conta.

 

Memória que fica

Para a assistente social do Lar São Rafael, Mariane Meneguetti Serra, a iniciativa é essencial não apenas pelo fato da entidade viver de doações, mas também pelas contribuições na rotina dos idosos. “Eles saem um pouco do comum. É difícil as pessoas tirarem um tempo para vir conversar e esse contato é importante. Não é porque eles estão aqui, que não merecem conhecer e conversar com pessoas, isso é importante para todos”, comenta.

Vivendo no lar há três anos, Creuza Cândido, 69 anos, conta que se sente importante quando recebe pessoas no lar. “Gosto da companhia, de saber que tem gente que lembra e se importa com a gente”, diz. Sentada colorindo um desenho ao lado de Larissa – voluntária da entidade - Creuza se surpreende ao saber da chegada dos estudantes. “Ver o carinho e a dedicação é muito bom. Ela [Larissa] me ajuda com os problemas do dia a dia e eles com a lembrança”, relata.

Gilberto Miguel Santos, 63 anos, vive há um no Lar. Quando questionado sobre a importância da atitude dos jovens, responde na lata: “Hoje é difícil, né? Ninguém está nem aí para a gente”. Ainda conforme ele, mais importante que trazer comida é conversar. 

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