Cemitério e casas de velório readequam atendimentos

A morte de um homem de 57 anos que estava com a suspeita da doença em Prudente, na sexta-feira, fez com que o setor ficasse ainda mais em alerta

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI

Data 29/03/2020
Horário 05:29
AI do Athia - Funerária Athia precisou adequar atendimento como precaução ao coronavírus Foto: AI do Athia - Funerária Athia precisou adequar atendimento como precaução ao coronavírus

Os cemitérios e casas de velório de Presidente Prudente precisaram readequar seus atendimentos nesta semana, como reflexo da preocupação com o Covid-19 no município. Um exemplo disso é o fato de que tanto o Cemitério Municipal São João Batista quanto o Cemitério Municipal Campal já não estão mais abertos, desde domingo, para visitação, permitindo apenas os sepultamentos mediante cumprimento de algumas regras. A morte de um homem de 57 anos que estava com a suspeita da doença em Prudente, na sexta-feira, fez com que o setor ficasse ainda mais em alerta. O Ministério da Saúde, também ao longo desta semana, publicou orientações para velórios e enterros.

O coordenador dos dois cemitérios de Prudente, Carlos Alberto de Lima, afirma que, entre outras medidas, estão suspensas a abertura dos caixões dentro dos cemitérios, de forma que o último adeus ao ente falecido deve ocorrer ainda nas casas de velório. “Além disso, restringimos a cerimônia de acompanhamento do caixão para apenas 15 familiares, desde que mantenham distância de pelo menos um metro entre eles e de dois metros do local do sepultamento”, esclarece.

Para proteger a saúde dos funcionários, os cemitérios afastaram ainda seis colaboradores que possuem mais de 60 anos de idade e que fazem parte do grupo de risco para a contaminação com o novo coronavírus. Para Carlos, este é um momento crítico, mas que exige muito sabedoria, criatividade e bom senso por parte da administração. Os funcionários contam com equipamentos fundamentais, como máscaras e luvas, bem como fazem uso do álcool em gel. “De forma geral, os familiares dos entes enterrados nas unidades receberam com positividade as medidas, pois sabem da importância delas”.

ORIENTAÇÕES DO

MINISTÉRIO DA SAÚDE

A pasta federal publicou um protocolo que traz recomendações de como devem ser realizados os funerais, o manuseio do cadáver nos hospitais, em domicílio e em espaço público, no que diz respeito à doença. De acordo com o protocolo, os falecidos devido ao Covid-19 podem ser enterrados ou cremados, mas os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da doença, que juntem muitas pessoas em um ambiente fechado, não são recomendados. “Neste caso, o risco de transmissão também está associado ao contato entre familiares e amigos”.

Além disso, segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é que eles contem com no máximo 10 pessoas, respeitando a distância mínima de, pelo menos, dois metros entre elas, bem como outras medidas de isolamento social e de etiqueta respiratória. Durante todo o velório, o caixão deve permanecer fechado para evitar qualquer contato com o corpo. O protocolo recomenda ainda que seja evitada a permanência de pessoas que pertençam ao grupo de risco.

READEQUAÇÕES NAS

CASAS DE VELÓRIOS

A Funerária Athia informa que, antes mesmo do Decreto Municipal 30.747, que traz determinações em relação aos velórios e sepultamentos, já havia adotado algumas medidas de precaução, como a disposição de álcool em gel em suas dependências e preparo aos funcionários, caso precisassem prestar orientações às famílias. Além disso, a unidade comentou que compartilha do conteúdo do decreto, que determina, por exemplo, o fechamento das casas de velório entre 22h e 7h.

“Os velórios se limitam ao tempo máximo de 4 horas de duração [sem permanência nos espaços de convivência que exceda a esse prazo]; as cerimônias não poderão concentrar aglomerações, limitando-se a presença a 10 pessoas por sala, rotativamente; e deve ser observada a distância mínima de 1 metro entre as pessoas, em velórios e sepultamentos”, aponta o documento.

Já a Interplan, visando à segurança e proteção de todas as pessoas, faz algumas recomendações, conforme as instruções das autoridades competentes. Entre elas, estão: evitar aglomerações, não levar ao local crianças ou pessoas com mais de 60 anos, lavar as mãos ao chegar, durante e ao sair do velório, e o uso do álcool em gel constantemente.

“Por mais difícil que seja o momento, evite o contato físico. Abraços, apertos de mão ou toque são desaconselháveis, pois podem transmitir a doença. Um simples olhar ou gesto também conforta”, acrescenta. Caso tenha os sintomas gripais, a Interplan não recomenda a participação na cerimônia.

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