Desafios no ensino remoto

OPINIÃO - Aline Tayná de Carvalho Barbosa Rodrigues

Data 21/05/2020
Horário 04:15

É evidente que os transtornos que a pandemia do novo coronavírus tem acarretado na vida diária de toda a população têm preocupado as famílias. A continuidade do cronograma escolar, por exemplo, tem se destacado, não só por evidenciar as diferenças entre o sistema público e privado, mas pela dificuldade que muitas instituições têm encontrado para dar o suporte pedagógico necessário através do sistema remoto.

Isso se explica porque tornou-se predominante um mecanismo que até então nunca tinha sido necessário para as escolas de nível básico, e com isso, tem exigido de tantas famílias um processo de adaptação e superação em diversas situações.

Muitos  não têm maturidade, responsabilidade ou condições fundamentais para se comprometer em assistir às videoaulas ou realizar as atividades sozinhos, sendo necessário o suporte dos pais ou responsáveis, realidade que acaba exigindo deles uma reestruturação quanto ao tempo de trabalho e o auxílio aos filhos.

O papel principal dessa reestruturação é o suporte e a orientação que deve partir da escola para com os pais, explicando de forma clara e objetiva como o processo irá ocorrer, além de responder dúvidas que podem surgir ao longo do tempo, sem se esquecer que o foco é facilitar o processo de aprendizagem.

Para que a parceria escola/família aconteça de forma eficaz, é muito importante que as funções sejam estabelecidas. Ou seja, o papel do professor e da escola é oferecer um suporte técnico, profissional sobre os conceitos e conteúdos trabalhados durante as aulas, enquanto os pais irão auxiliar os filhos e os professores com um retorno sobre a experiência em casa, para que seja construída uma aprendizagem significativa e os laços afetivos não se percam.

Essa realidade de ensino remoto é totalmente nova e por isso ainda existem muitas lacunas, muitas falhas por parte dos pais, da escola, do governo e do sistema educacional em si, pois não estavam preparados para essa situação, principalmente, por vir como um método educacional predominante e não como um mecanismo complementar às aulas presenciais.

Por isso, é interessante que os pais estruturem, junto a seus filhos, uma rotina de estudos, para que os estudantes possam desenvolver a autonomia necessária na prática escolar e, consequentemente, para que consigam administrar bem o tempo, já que muitos pais também estão trabalhando de casa.

O mais importante de todo esse processo é integrar a criança e dar a ela a responsabilidade de construir, junto com os pais, essa rotina, tendo consciência de que para que tudo funcione bem, ela também precisa fazer a sua parte e com isso, pouco a pouco ir amadurecendo em seu protagonismo, no processo de ensino e aprendizagem.

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