DIZ NEUROLOGISTA

Diagnóstico precoce depende da percepção dos pais

Em Prudente, existem instituições especializadas que também acolhem e atendem as pessoas que convivem com o transtorno, como a Apae e a Lumen et Fides

  • 18/08/2019 04:06
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Antigamente, o conceito de autismo era bem mais restrito e sem uma noção completa do que realmente é o TEA (Transtorno do Espectro Autista), até por falta de informação. Mas hoje, com o avanço da medicina, uma em cada 100/150 crianças nascidas já possuem o diagnóstico recente, posteriormente. Essa é a forma que coloca a neurologista infantil Cássia Duarte Barbosa, que também salienta que a percepção dos pais é importante nesse momento, uma vez que os primeiros sinais aparecem por volta do primeiro ano de idade da criança.

Isso porque, de acordo com ela, é quando a criança começa demonstrar a primeira interação social. Na ausência dela, é onde o problema pode estar. “O profissional habilitado consegue ver antes. Mas quem está no convívio poderá notar um sinal de maior reclusão, de diferença de outras crianças, no que tange à rotina, a verbalizar uns com os outros. Falar mais com gestos. E muitas vezes são tímidas ou com comorbidades associadas”, completa. E quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápido consegue fazer uma reabilitação.

Quando isso ocorre, faz-se necessário encaminhar a criança para uma equipe multidisciplinar, mas sempre avaliando o grau de cada caso, lembra a especialista. Entre os exemplos, ela cita um neurologista, fisioterapeuta, pedagogo, entre outros. “O importante é lembrar que o acompanhamento do autismo é para o resto da vida. Ele não tem cura. O que pode desenvolver é uma melhora, com a ligação do estímulo no dia a dia”, conclui.

Especializadas

Em Prudente, existem instituições especializadas que também acolhem e atendem as pessoas que convivem com o transtorno. Na área da saúde, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) é um dos exemplo. A entidade assiste 18 pacientes, sendo muitos deles estudantes de escola regular. Fora isso, a entidade ainda possui, no setor de autismo, uma área destinada à educação, iniciada neste ano. “São alunos [14 ao todo] com transtorno mais severo, que apresentam deficiência intelectual - por meio de um currículo funcional, o objetivo é a melhoria na qualidade de vida”, destaca a diretora pedagógica Kátia Nunes.

Também conhecida por desenvolver o trabalho no município, na Lumen et Fides a linha é a mesma, com foco na educação, mas também atende em outras áreas, como da saúde. A entidade foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

PROTEÇÃO LEGAL

No Brasil, além da Política Nacional, autistas são amparados pela Lei 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Na Câmara dos Deputados tramita, em caráter de urgência, o projeto de lei que obriga o poder público a criar um disque-denúncia em âmbito nacional para relato de casos de discriminação contra autistas. Entre o que poderá ser denunciado estão: impedimento na contratação de planos de saúde ou cobertura negada, discriminação de pessoas com diagnóstico de TEA no mercado de trabalho e no acesso à educação.