Escassez exige criatividade e garra para obter renda

  • 09/07/2019 04:00

Situações extremas, ou de crise, naturalmente demandam atitudes extremas, excepcionais. Do contrário, as adversidades se acirrariam e, fatalmente, seríamos atropelados por uma crescente e veloz bola de neve. É exatamente o que os brasileiros sentem na pele em tempos de recessão, de “vacas magras”. Sem conhecimento algum em técnicas de engorda de bovinos, o povo, desempregado e com o poder de compra cada vez mais reduzido frente à inflação, se vira do jeito que dá. Vale tudo. Desde deixar aflorar o espírito empreendedor, intrínseco no gene brasileiro, até arregaçar as mangas e partir para o comércio informal.

O cenário de estagnação foi descrito ontem em pesquisa divulgada por este diário. Segundo o Índice Datafolha de Confiança, enquanto economistas preveem inflação controlada e abaixo da meta pelo terceiro ano consecutivo, quase a metade dos brasileiros, 48%, espera que ela aumente. Dos cinco itens econômicos pesquisados pelo levantamento, a carestia, ou o encarecimento do custo de vida, foi o maior motivo de apreensão.

Os brasileiros estão apreensivos, o cenário econômico segue sem apresentar a melhora projetada e o desemprego segue atingindo em torno de 12% da população. Apesar de a maioria não ver risco de ser demitida em todo país, aqueles que têm seus empregos seguram com unhas e dentes, enquanto os que não têm, ou buscam por uma colocação, ou se viram como podem na informalidade.

De maneira que, independente da tábua de salvação, a palavra de ordem é a mesma: sobrevivência. Termo este que remete a uma especialidade do brasileiro. A história mostra que a subsistência é fiel companheira do brasileiro. Era assim desde antes de Cabral, quando ainda andávamos desnudos e não chamávamos Brasil. E vai ser assim nos dias vindouros, quando nos desnudam e roubam nossa identidade. O verdadeiro guerreiro da nação é o próprio povo brasileiro, que levanta cedo todos os dias e, mesmo na incerteza do pão de cada dia, jamais foge à luta.

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