Família de feirantes inova e monta barraca colaborativa

Devido à baixa na demanda pelas hortaliças do seu Kitano, por conta do novo coronavírus, o genro Edson e a filha Júlia implantaram o sistema em Dracena; ideia é um sucesso

REGIÃO - MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

Data 03/04/2020
Horário 09:37
Cedida - São vendidos cerca de 400 itens diariamente no pegue e pague da família Kitano Foto: Cedida - São vendidos cerca de 400 itens diariamente no pegue e pague da família Kitano

Uma família de feirantes de Dracena viu a demanda por seus produtos, hortaliças, diminuir drasticamente depois do início da quarentena contra o Covid-19. Isto porque, desde que as orientações de isolamento social foram adotadas, poucos são os que se arriscam pelas ruas e entre as multidões. Ao invés de se lamentarem, foram inventivos.

O feirante Edson Massao Cintori, 46 anos, junto da esposa Júlia Midori Kitano Cintori; percebendo que o sogro, Mitiyuki Kitano, de 80 anos, além de precisar permanecer em casa, já que faz parte do grupo de risco, precisaria escoar sua pequena produção de folhagens que mantém com o filho Paulo Sussuno Kitano, teve a ideia de colocar as hortaliças em um sistema pegue e pague.

Uniu, como bem diz o ditado, o útil ao agradável. Todos os produtos ficam expostos em uma barraquinha a preço único, R$ 2 por embalagem. Os clientes vão até o local, escolhem seus produtos, devidamente embalados, depositam o dinheiro em uma caixinha e, se precisar, retiram o troco em outra. Ah, como pede a atual situação, os clientes podem, também, higienizar-se com o álcool em gel disponível todo o tempo nas bancas.

Se a ideia deu certo? Mais que certo. Em menos de duas semanas que o pegue e pague foi implantado, a busca é enorme. Edson afirma que diariamente são vendidos mais de 400 itens. Além disso, outros produtores de hortifrútis os procuraram para expor as produções na banca também, visto que as dificuldades de escoamento e comercialização são generalizadas. Neste tempo, a barraca dobrou em tamanho e quantidade de produtos.

“O estigma do brasileiro mau caráter e desonesto é coisa do passado”, garante Edson. Segundo ele, até hoje, a contagem dos valores arrecadados bate exatamente ao dos produtos adquiridos: “não falta um centavo”, afirma. Além de comprovar a honestidade, o pegue e pague é uma lição educativa da virtude. O feirante relata que diversos pais levam as crianças para conhecer a barraca de verduras e legumes e os ensinam o valor da honestidade, fazendo com que eles depositem o dinheiro na caixinha.

INSPIRADO

NO JAPÃO

Edson relata que saiu do Brasil aos 16 anos e passou um tempo no Japão, onde trabalhava como motorista, transportando funcionários de empresas. “Certa vez, passando em uma área rural, notei que tinha uma barraquinha com chuchu, legume que é muito raro no Japão. Parei, olhei, vi que não tinha atendente, reparei que tinha uma caixa para pagar e outra para tirar o troco. Não acreditei”, enfatiza. Foi nesta e outras experiências semelhantes na terra do sol nascente que Edson se inspirou.

SERVIÇO

O pegue e pague está localizado na Rua Aristides Zanoni, 608, Bairro Palmeiras, em Dracena, onde está localizada a Chácara Kitano.

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