Violência

Filhos são autores de 37% dos casos de agressão a idosos

Dados levantados pelo Creas ainda mostram que 31% das ocorrências têm negligências como causas e 68% dos atingidos são do sexo feminino

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 12/10/2018 04:02:00

Dados do Serviço de Atendimento ao Idoso do Creas (Centro de Referência de Assistência Social), em Presidente Prudente, revelam que 37% das situações de violência atendidas pela unidade apontam os filhos como principais agressores. O resultado foi obtido a partir da avaliação de 50 casos assistidos mensalmente pelo órgão no período de janeiro a maio deste ano, sendo este o balanço mais recente e cuja atualização está prevista para o próximo mês. Observa-se ainda que 31% das ocorrências são causadas por negligências e que 68% dos atingidos são mulheres. Os dados são corroborados pelo titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Prudente, Antenor Pavarina, segundo o qual a maior parte dos crimes contra o público desta faixa etária ocorre no ambiente doméstico e advém dos próprios familiares, seja por maus tratos ou por não prestar assistência às suas condições de saúde.

A coordenadora do serviço ao idoso do Creas, Simone Duran, explica que já é esperado o fato de os filhos responderem pelo maior número de situações de violência, uma vez que possuem uma relação mais direta com os pais e, normalmente, são os responsáveis por eles. Ela observa que, em grande parte das ocorrências, o histórico de convivência entre um e outro é marcado por abusos ou abandono do pai em relação aos filhos. Ao envelhecer, este depende dos cuidados deles e, como nunca houve a criação de um vínculo afetivo, os filhos se sentem afastados a ponto de negligenciá-lo. “No entanto, o Estatuto do Idoso determina que, mesmo que não exista amor, os filhos são responsáveis por seus pais e devem garantir a sua proteção”, argumenta.

A coordenadora acrescenta que os tipos de negligências podem ser vários e englobam cuidados com a saúde, alimentação, higiene e o espaço em que o idoso ocupa. Já em relação ao sexo das vítimas, Simone denota que as conclusões verificadas esbarram na questão de gênero. “A questão cultural da violência contra a mulher somada ao envelhecimento a torna mais vulnerável aos olhos dos agressores”, relata.

Na delegacia pela qual responde, o delegado Antenor Pavarina ressalta que as denúncias de violência podem ser registradas em forma de boletim de ocorrência, inquérito ou termo circunstanciado, de acordo com a gravidade do crime cometido. Assim que informada, a delegacia apura o caso e, ao concluí-lo, remete-o ao MPE (Ministério Público Estadual), que propõe ação penal, cabendo ao juiz definir se o agressor será preso ou responderá à pena alternativa.

Suporte ao idoso

Para reverter o cenário, o serviço de proteção do Creas promove um trabalho contínuo de prevenção junto a 50 idosos que estejam submetidos a uma situação de violência. Este número é a capacidade máxima que o órgão consegue atender e abrange denúncias recebidas pelo Disque 100 e Delegacia de Proteção ao Idoso ou a partir da procura espontânea da própria comunidade. “Eventualmente, a abordagem é feita pelos próprios familiares ou órgãos públicos como o MPE”, complementa.

Nesse contexto, o papel das equipes que atuam no Creas é se dirigir até as casas dos idosos e conhecer as condições em que vivem. A partir do que for observado, é traçado um plano de atendimento psicossocial à vítima e à família, bem como à pessoa que pratica a violência. “Como, geralmente, o agressor está dentro da própria família, o suporte que prestamos também o contempla. Somente quando a situação foge do nosso controle é que informamos ao MPE e solicitamos uma intervenção”, menciona.

A coordenadora salienta que os serviços são mantidos até que a situação de violência seja superada ou que o idoso não tenha mais interesse em recebê-los. “Quando o trabalho com uma família é concluído, incluímos outro idoso na rede de proteção”, pontua.

Outros dados

Com o objetivo de traçar um panorama sobre a violência contra o idoso em Prudente, o levantamento realizado pelo Creas ainda mostra que, no tocante ao perfil dos agressores, 19% são os próprios idosos e, em termos de natureza da violência, o mesmo percentual é de autonegligência. Segundo Simone, isso ocorre quando eles não aceitam orientação e apoio. Os dados também destacam que 11% são agressões; 10% compreendem violência física e psicológica; e outros 10% envolvem o não compartilhamento de cuidados, que se refere às famílias em que apenas um membro assume integralmente os cuidados com o idoso e os demais se afastam das suas responsabilidades, causando o acúmulo de tarefas para um único cuidador

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