Entre janeiro e setembro

HR de Prudente soma 219 atendimentos de câncer bucal

Em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram 185 passagens relacionadas à patologia, houve crescimento de 18% nos casos; semana de prevenção alerta sobre a doença

THIAGO MORELLO - Da Redação • 09/11/2018 04:02:00

André: "Cigarro e álcool estão relacionados à doença". Foto: Marcio Oliveira

O câncer de boca ou câncer bucal pode estar diretamente relacionado com diversos hábitos, mas principalmente ao consumo de tabaco e álcool de forma demasiada. É certo que a prática pode ter culminado no aumento de 18% em atendimentos relacionados à patologia, na maior unidade de saúde da região, o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo de Presidente Prudente. É que, em 2017, a entidade registrou 185 passagens de pacientes com a doença, enquanto, em 2018, foram 219, 34 a mais. Nos dois anos, o período analisado é de janeiro a setembro.

O assunto, mesmo com a importância de ser tratado ao longo do ano, voltou com mais força nos últimos dias, em vista da Semana Nacional de Prevenção ao Câncer Bucal, que termina nesta sexta-feira. Durante todo o período, o Ministério da Saúde tem realizado ações de comunicação, nas redes sociais, TV e rádio, para informar o que é a doença, como preveni-la, e orientar sobre onde e quais os serviços de saúde bucal estão disponíveis à população no SUS (Sistema Único de Saúde).

Contudo, a falta destas informações pode ser um dos motivos que impulsionaram o aumento da demanda na região. O oncologista do HR, André Genaro, explica que é difícil apontar as causas exatas de uma maior incidência, no entanto, adverte que pode sim estar relacionada com a falta de informação, ao aumento no número de diagnósticos por si só, bem como o convívio com as situações que mais podem desencadear a doença.

E, para o especialista, o câncer de boca está relacionado diretamente com o cigarro, o uso excessivo de bebidas alcoólicas, a má higiene bucal e também o HPV (papiloma vírus humano). “Nós vivemos em uma região em que a incidência da doença é muito grande, principalmente relacionada a essas causas. Tem que ser avaliado de perto o causador da patologia, mas a prevenção sempre será o caminho certo para evitar o problema”, completa.

Sendo assim, se tais hábitos podem impulsionar o aparecimento da doença, evitá-los pode ser uma forma de se prevenir. Não fumar, consumir bebidas alcoólicas moderadamente, usar preservativos nas relações sexuais e se imunizar contra o HPV são algumas das maneiras de evitar a patologia, conforme o oncologista. “A doença também pode estar ligada à desnutrição, ao baixo consumo de proteínas e vitaminas. Como dica geral e que ajuda em tudo, a ideia é ter uma alimentação mais saudável”, completa André.

A atenção também deve ser dada aos sintomas. À reportagem, o especialista adverte que não existe um sistema de rastreamento da doença, porém, o alerta deve existir para algumas situações, como “pessoas que têm feridas ou úlceras na região bucal e que não cicatrizam num período de três semanas, lesões esbranquiçadas na boca - consideradas pré-malignas - e perda de peso”.

E, dependendo do estágio em que a doença se encontra, a chance de cura é de 90%, caso seja identificada inicialmente. “O problema é quando está avançada. Aí as chances de cura são baixas e, infelizmente pode resultar até mesmo em óbito”, enfatiza o oncologista. Com isso, fica o alerta para que a patologia seja prevenida e, nos casos em que for constatada, a busca rápida pelo tratamento, que é cirúrgico, mas pode precisar de quimioterapia e radioterapia, uma vez que as lesões estejam irressecáveis.

NÚMEROS

219

atendimentos foram registrados de janeiro a setembro deste ano

34

casos a mais foram catalogados em relação a 2017

90%

é a chance de cura, caso a doença esteja na fase inicial

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