Marido oprimido

  • 31/03/2020 05:00
  • Sandro Villar

O Ambrósio já não aguentava mais as admoestações de sua esposa Pasqualina. Por qualquer bobagem, ela pegava no pé do marido sem dó nem piedade, parecendo até o atual governo que ferrou os aposentados com a reforma da Previdência, para a qual grandes sonegadores, incluindo banqueiros, devem no mínimo R$ 900 bilhões.

Mas é o tal negócio: ferrar os aposentados é mais fácil do que o governo cobrar a dívida dos sonegadores, que é quase três vezes maior do que o tão propalado e divulgado rombo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O instituto ficaria abarrotado de grana se recebesse essa montanha de R$ 900 bilhões, como já disse várias vezes. Só que falta ao governo, para cobrar os sonegadores, "aquilo" que sobra entre as patas traseiras do touro, se me entendem.

Pois é, de repente incursionei pela área da Previdência e até me esqueci do que falava. Ah, já me lembrei: o Espadachim falava do casal Ambrósio e Pasqualina, e suas desavenças na vida a dois (não esquecer que há vida a três quando aparece o Ricardão).

Mais do que rainha do lar, ela era gerentona do lar. Tinha obsessão por higiene e implicava com quase tudo o que o Ambrósio fazia em casa. Ele não tinha liberdade nem para fritar ovo ou para usar o liquidificador na preparação de uma vitamina com "sustança" (dizem que ele adicionava mocotó).

"Deixa que eu frito, você suja o fogão quando frita ovo", dizia Pasqualina, mais mal-humorada do que correntista em fila longa de banco. Era bronca em cima de bronca, uma média de dez broncas diárias, segundo sua contagem durante uma rodada de cachaça e de cerveja no bar da esquina.

Com uma esposa tão "crica", mais chata do que discurso do Tchutchuca, o Ambrósio arrumou um apelido para a mulher. E o danado demonstrou ser criativo. Depois de receber mais uma bronca - ela cismou que o marido tinha chulé -, Ambrósio deu uma de "chulo" e apelidou Pasqualina de Azedinha.

Ela ficou uma onça, brava pra cachorro ou, no caso, brava pra cadela. "Não admito que você me chame de Azedinha, Azedinha é a comadre da sua vizinha", vociferou a megera.

Só para sacanear a mulher, Ambrósio insistia em chamá-la de Azedinha, como naquele começo de noite quando voltou bêbado para casa. Ao ver o marido naquele estado, parecendo a economia do Brasil, Azedinha soltou os cachorros para cima do coitado: "Muito bonito, hein? Seu pau d´água, agora chega bêbado todo dia. Não tem vergonha?", falou a mulher.

E acrescentou:"Seu pinguço trapalhão, você só gosta de encher a cara". Ao que Ambrósio, depois de coçar a cabeça e arrancar um fio da barba, emendou de bate-pronto: "Ocê está enganada, Azedinha. Eu gosto é de garrafa, e garrafa cheia eu não quero ver sobrar. Também gosto de tonéis de carvalho, onde sempre tem "água boa"", explicou sarcasticamente, incluindo na explicação um trecho da marcha carnavalesca “Saca-Rolha”, do casal Zé da Zilda e Zilda do Zé.

Ao ouvir de novo o apelido, a Pasqualina mais uma vez ficou fula, o que levou o marido a se explicar novamente: "O Osmar, dono do bar, criou um novo coquetel que, a meu pedido, ele batizou de Azedinha, em homenagem a você, queridinha. É pinga de alambique com limão galego e romã picada", disse o Ambrósio, desculpando-se por mencionar o incômodo apelido.

Depois, ele esclareceu que tinha bebido quase uma garrafa inteira do coquetel em "homenagem" à esposa, madame Azedinha, uma chata sem galocha.

DROPS

Noites Toffoli diz que Brasil está fora dos trilhos.

Chamem o guindaste.

A coisa está feia. Chamem o maquiador.

Brasil, país do futuro... incerto.

Vendedor de limão na feira não é camelô.

É empreendedor.

 

 

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