Moradora de Indiana tem benefício negado por estar “falecida”

Natalina Teresa Maldonado de Brito, 66 anos, comenta se sentir magoada e lembra que “apenas queria ajudar em casa” com o benefício

REGIÃO - GABRIEL BUOSI

Data 22/05/2020
Horário 07:33
Cedida/José Vicente - Natalina tem 66 anos e é moradora de Indiana Foto: Cedida/José Vicente - Natalina tem 66 anos e é moradora de Indiana

Somente quem de fato precisa do auxílio emergencial de R$ 600 disponibilizado pelo governo federal sabe o quanto é difícil ter seu processo considerado como aprovado e o quão bom é saber que, por pelo menos alguns meses, o benefício irá ajudar nos mais diversos aspectos, como na alimentação de uma família ou então para regularizar alguma conta essencial de casa nesta época em que a economia, de todos, tem passado por dificuldades. A moradora de Indiana, Natalina Teresa Maldonado de Brito, 66 anos, foi uma dessas pessoas que buscou pelo auxílio, mas a resposta que ela obteve não foi nada agradável. “Meu pedido foi negado, porque disseram que eu estava falecida. E isso me deixou muito magoada, pois sei o quanto preciso”.

As dificuldades em receber uma ajuda por parte do governo não são de agora. Isso porque, a dona de casa aponta que há aproximadamente quatro anos ela conquistou a aposentadoria por tempo de contribuição das atividades rurais que desempenhou quando mais nova, mas diz que o pagamento ocorreu por apenas um ano, sendo suspenso já há três anos. “Desde então estamos na Justiça lutando para conquistar meu benefício de novo. Alegam que não tenho tempo de contribuição suficiente, mas temos todos os documentos que comprovam o contrário”.

Por isso, o anúncio de que ela se encaixava em uma medida emergencial, em meio à pandemia, foi para Natalina uma nova oportunidade de conquistar aquilo que lhe é de direito. “Eu faço minhas contribuições e vivemos apenas com a aposentadoria do meu marido. Então, imagina o quanto não é difícil para nós ver a notícia de que meu cadastro aponta para uma pessoa falecida, é um descaso”. A moradora de Indiana não desistiu, e refez o cadastro para que uma nova resposta fosse emitida, mas a análise ainda segue em curso.

“Me sinto constrangida, apenas queria poder ajudar em casa e melhorar nossa situação por alguns meses, mas não foi possível até o momento”.

DIVERGÊNCIAS

NO SISTEMA

A reportagem entrou em contato com a Caixa Econômica Federal, que alegou que toda a análise é feita pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), instituição do governo federal responsável por verificar se o cidadão cumpre todas as exigências previstas na lei. “Uma vez concluída a análise e retornando como aprovada, a liberação do recurso é realizada pela Caixa”. A instituição lembrou ainda que as respostas estão disponíveis para consulta através do aplicativo Caixa Auxílio Emergencial, do site auxilio.caixa.gov.br ou da central telefônica exclusiva 111.

A reportagem entrou em contato por dois dias seguidos com a Dataprev, por meio da Assessoria de Imprensa, mas não recebeu nenhum dos contatos feitos até o fechamento desta matéria.

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