O Espadachim, um cronista que deseja a todos sombra e água fresca.

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 11/05/2020
Horário 12:44

Avô e neto conversavam no banco da praça e, de repente, o menino olhou pro rosto do velho e falou: "Eu quero a minha mãe". O avô coçou a barba branca, enrolou alguns fios, passou a mão na cabeça do neto e emendou: "Eu também quero a minha mãe". A mãe do garoto estava no salão de beleza e, mais tarde, ele a teria de volta em sua casa.

 Com quase 80 carnavais nas costas, para não dizer "peso dos anos" quando a idade está mais avançada do que jogador em impedimento, o avô, como é óbvio, não teria a mãe de volta, pois ela já tinha ido embora deste insensato mundo. Parece que isso é a lei da vida.   

 Outro velho, avô como o primeiro desta historinha, também chamava pela mãe. Ele estava internado em um hospital. Numa noite, ele, transtornado, começou a andar pelo quarto. "Eu quero a minha mãe", gritava o pobre homem. Àquela altura do campeonato da existência, era inútil clamar pela genitora, que também já tinha partido havia muito tempo.

Todos nós, não importa a idade, chamamos pela mãe, a não ser aqueles que são muito filhos da mãe. Ou filhos de mães não tão boas. As mães que estão no Céu certamente ouvem seus filhos, a julgar pelo que garantem algumas religiões. Tomara que seja assim.

 Coração de mãe é como o Rexona: sempre cabe mais um, e tenho certeza que vocês já leram - ou ouviram - isso à exaustão. Como a frase é boa, vale o repeteco. Se em mulher não se bate nem com uma flor, em mãe, então, não se bate nem com duas flores.

 Ser mãe é padecer no paraíso, como disse o poeta Coelho Neto, mas apresso-me em explicar que ele não se referia ao bairro paulistano do Paraíso. Isso é apenas observação de cronista metido a besta. Presumo que mesmo quando o parto é natural a mãe padece no paraíso, talvez mais que a mãe do porco espinho na hora...do parto.

 Depois do dia de Finados, o maior movimento de visitantes nos cemitérios é registrado no dia das Mães, comemorado no segundo domingo de Maio. E a mãe é uma mãe para o comércio e, de tabela, também para a indústria.

 Dou uma passagem aérea para a Coreia do Norte, para bater um papo com o camarada Kim Jong-un, a quem acertar a melhor data em vendas para os lojistas, depois do Natal. Claro, dona Clara, a segunda melhor data é o dia das Mães. Sugiro às Associações Comerciais a construção de estátuas em homenagem às mães, incluindo todo tipo de mãe.

À exemplo dos dois velhos citados no início da crônica, eu também quero a minha mãe. Fica só na vontade até porque ela também já cumpriu sua missão na Terra. Mãe é mãe. Talvez mãe seja mesmo a palavra mais linda que o poeta escreveu, como diziam os compositores Herivelto Martins e David Nasser, autores da canção Mamãe, magistralmente interpretada por Ângela Maria e Agnaldo Timóteo.

DROPS 
No Brasil atual a situação está mais para Caim do que para Abel.
Quem ronca seu parceiro espanta.
Seminário na Serra do Roncador reuniu roncadores de todo o País.
Estava num ronco só, acordou com o ronco da cuíca.
Ronco é uma sinfonia ouvida, quase sempre, por um só espectador.
 

 

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