O Grito

O Espadachim, um cronista que não fica em cima do muro

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 02/06/2020
Horário 05:30

O título da crônica não tem nada a ver com o famoso quadro O Grito, obra do pintor norueguês Edvard Munch, mundialmente conhecido. Tem a ver, isto sim, é com as nossas reações diante de uma situação de sufoco, quando quase todo mundo tende a dar os seus gritos, na maioria das vezes gritos de socorro.

Pode ser também uma palavra mágica. Ou uma frase mágica, como aquela que o carpinteiro Ali Babá pronunciava quando entrava no esconderijo dos 40 ladrões.

Ali Babá passou a perna na cambada e, com o tempo e a sagacidade da mulher, roubou todo o tesouro da quadrilha. "Abre-te, Sésamo!", gritava Ali Babá. Era a senha - ou o código - que abria a caverna onde tinha ouro, prata, diamantes e tecidos finos para mais de metro.

Depois que pegava o suficiente, Ali Babá deixava o local e, ao ir embora, invertia a frase mágica: "Fecha-te, Sésamo!" A entrada voltava a ser fechada. Por isso, a quadrilha, a princípio, não percebeu que o "patrimônio" estava sendo roubado. Quando os ladrões descobriram, Ali Babá já estava podre de rico, como diz essa bela história árabe.

Se Ali Babá tinha a frase mágica, o repórter radiofônico Billy Batson, deficiente físico, recorria a um grito famoso toda vez que a coisa ficava feia. "Shazam!", gritava ele. Era o suficiente para Billy Batson largar a muleta e se transformar no Capitão Marvel, que as más línguas consideram um genérico do Super-Homem.

Shazam era um mágico que transferia seus poderes ao jovem repórter. Só assim tinha condições de enfrentar o satânico doutor Silvana e outros vilões.

Johnny Weissmuller, o melhor Tarzan do cinema, também gritava. Era um grito de rei da selva, um grito de Tarzan, suficiente para amedrontar os malfeitores.

Já o Super-Homem, que eu saiba, não dava gritos ou gritinhos, mas ele tinha a mania de entrar em cabines telefônicas de onde saía voando que nem louco.

E os políticos? Ah, pessoal, eles também dão gritos quando a porca torce a cauda. Depois de toda aquela encrenca com o Joesley Batista, o ex-presidente Temer, para citar um exemplo, gritava um nome. Minto: era um sobrenome, no caso, Mariz. Era um grito de socorro de Temer ao doutor Mariz, que sempre estava disponível.

De São Paulo, Mariz voava rapidamente para Brasília toda vez que o famoso cliente gritava o seu nome. O tal grito surtiu efeito e a maior prova disso é que o então presidente continuou no poder, descarrilando o Trem Brasil, logo ele que prometeu recolocar o país nos trilhos (pausa para rir).

Já a população carente, nestes tempos assombrosos de pandemia, está gritando para valer. A fome bate à porta. O desemprego também. A boa notícia é que tem muita gente boa no Brasil, gente do bem que quer ajudar os mais necessitados. Ninguém se salva sozinho, como diz o seu Chico, o nosso ilustre papa Francisco. A hora é grave, já dizia Ulysses Guimarães, e muito ajuda quem não atrapalha. 

DROPS

Sabe quem é Ford? Henry Ford, Harrison Ford e John Ford.

Como o lápis é grande. Cabe tudo em sua ponta.

A mentira tem perna curta e braço longo.

Era tão bom meteorologista que previa até tempestade em copo d’água.

 

 

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