Precisamos, também, falar sobre a dengue!

EDITORIAL -

Data 08/05/2020
Horário 04:00

O mundo vive momentos de apreensão. E não é por menos, já que pela primeira vez em muitas décadas a população global se viu diante de uma quebra brusca de rotina e de um cenário de preocupação capaz de deixar vazios os pontos turísticos mais famosos do globo, e deixar ao relento ruas de cidades consideradas como capitais mundiais e que até então não dormiam nunca. Simultaneamente à pandemia, no entanto, há outra doença, a dengue, que tem feito vítimas e mais vítimas em todo o país, com chuvas de notificações, e que em Presidente Prudente é claro não poderia ser diferente. Sem desmerecer nenhum destes dois grandes problemas, e que tiram vidas, este diário reserva o espaço do editorial de hoje para lembrar que somente no último balanço, do dia 5 de maio, a maior cidade do este paulista já contabilizava 2.754 registros positivos da doença e três mortes.

Por falar em último registro, o balanço mais recente, de uma só vez, apontou para 206 novos casos. Ou seja, 206 pessoas que estivem vulneráveis à gravidade da doença, causada pela proliferação do Aedes Aegypti, e que muito reflete sobre a preocupação da população – ou a falta dela – para com a saúde pública. Sabe-se que não é fator único e exclusivo para o aparecimento dos casos, mas não se pode negar que por muitas vezes os munícipes se descuidam em relação aos acúmulos de entulhos em casa, ou até mesmo com a quantidade de águas paradas em vasos de plantas, por exemplo, e que por mais simples que pareçam aos olhos leigos daqueles que não estão no combate à doença, são capazes de tirar vidas, inclusive dos membros da própria casa em que as larvas se acumulam.

Em tempos de pandemia em que se suplica pelo uso de máscaras, lavagens adequadas das mãos, distanciamentos sociais, se discute a quebra da economia, que será inevitável diante de tamanho caos, é preciso apelar também para a limpeza dos quintais. Tão simples como o fato de colocar uma máscara de pano nos rostos, está o ato de levantar e buscar por criadouros e que podem impedir o crescimento da dengue. Ato este que para muitos pode ser feito durante as longas horas em que se gasta lendo um livro, assistindo séries ou então trocando mensagens com amigos. Atividades estas, diga-se de passagem, fundamentais para que se mantenha a saúde mental em tempos de isolamento.

O ponto chave deste texto, além de trazer a conscientização, é mostrar que não se deve ver o número de três mortes em Presidente Prudente, como algo pequeno frente aos mais de 2,7 mil casos positivos – fora os 2.236 que aguardam por um resultado. Até porque, assim como na Covid-19, três mortes podem parecer insignificantes aos olhos de quem lê os dados, até que a leitura destes números seja substituída pela mensagem de morte de um amigo, conhecido, familiar, mãe, pai ou parceiros. A dengue existe, cresce a cada dia no município, e não se pode esperar a aproximação dela para que medidas sejam tomadas.

Hoje, mais do que nunca, a saúde pública está nas mãos de todos e não apenas nas mãos de médicos. Até porque, se por um lado podemos evitar a proliferação do vírus que faz vítimas em todo o mundo, por outro podemos evitar mortes com o simples ato de autofiscalização. Vítimas são vítimas, independente se morre um, ou se morrem mil.

 

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