Marcos Chicalé - No dia 7, coordenadores, professores e voluntários realizaram treinamento, no PUM

Foto: Marcos Chicalé - No dia 7, coordenadores, professores e voluntários realizaram treinamento, no PUM

VIVÊNCIA DE ESPERANÇA

Prudente sedia Festival Paralímpico neste sábado

Organizado pelo CPB, evento ocorrerá no Parque de Uso Múltiplo, das 8h30 às 11h30; meta da organização é receber em torno de 120 a 150 inscritos

  • 20/09/2019 07:54
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Pela primeira vez, Presidente Prudente será sede do Festival Paralímpico, organizado pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). E que bacana, no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado exatamente neste sábado, no PUM (Parque de Uso Múltiplo), das 8h30 às 11h30. O evento, que é destinado principalmente para crianças e jovens com idades entre 10 e 21 anos que possuem alguma deficiência, tem parceria direta com a Semepp (Secretaria Municipal de Esportes), representante da Prefeitura.

Conforme a coordenadora da Pessoa com Deficiência, Eliane Ferrari Chagas, 55 anos, mais conhecida como Lika, que também é a coordenadora logística do festival ao lado do coordenador técnico Marcio Rodrigues, a meta é receber em torno de 120 a 150 inscritos. Lembrando que as inscrições são gratuitas, assim como para assistir ao evento. Então, não tem desculpas para não prestigiar algo tão importante para a cidade.

No dia 7 de setembro, coordenadores, professores e voluntários realizaram um treinamento, in loco, tipo um ensaio, com os equipamentos que serão utilizados no evento. Isso para conferir se as estações dos três esportes - basquete sobre rodas, parabadminton e atletismo - funcionarão adequadamente.

“É importante deixar bem explicado que não é uma disputa, mas sim uma vivência com as três modalidades paralímpicas que o município escolheu para desenvolver. Então, não precisa ser atleta para participar, pois o festival será uma forma de brincadeira em estações dentro dos esportes, em um ‘jogo’ durante meia hora, em cada modalidade, simultaneamente. Cada núcleo [70 cidades sedes em todo o país] fez a sua opção. Nós escolhemos o basquete sobre rodas, parabadminton e o atletismo”, explica a coordenadora.

Espelhos da esperança

Segundo Lika, os atletas profissionais que estarão no festival servirão como espelho para as crianças, adolescentes e jovens que ali estarão participando: Jerusa Géber dos Santos (atletismo, especialidade 100 m e 200 m classe funcional - t11 - cego total) e Rogério Júnior Xavier de Oliveira (categoria SL4), ambos que recentemente trouxeram medalhas dos Jogos Parapan-americanos, em Lima, no Peru. Além, de Leonardo Melo (atletismo-categoria T54), o Valmir Rodrigues (Atletismo Paralimpico - lançamento de disco e dardo - arremesso de peso - classificação F63), conhecido como Digão, os meninos da natação da Apop (Associação Paradesportiva do Oeste Paulista).

“O envolvimento deles no evento é justamente para mostrar aos participantes que é possível sim, ainda que se tenha alguma deficiência, ser um atleta que compete em eventos municipais, nacionais ou mundiais e ganhar medalhas, troféus, uniformes da Seleção Brasileira”, enfatiza Lika. “E, principalmente suas experiências no esporte, os benefícios físicos e mentais da prática esportiva. Fazê-los entender que podem dar um novo sentido a suas vidas, melhorar a autoestima, fazer novas amizades. Enfim, o esporte tem um poder transformador e pode ser praticado por deficientes sim”, completa.

Emoções inexplicáveis

Para explicar o porquê de muitas pessoas se emocionarem com os Jogos Parapan-americanos, Lika, que trabalha nessa área há mais de 30 anos, explica com suas próprias experiências e confessa que fica sempre muito emocionada nesse tipo de competição. “Fui voluntária nas Paralímpiadas no Rio de Janeiro e eu chorava todos os dias. E olha que até tenho experiência nisso, mas você ver as pessoas com enormes dificuldades, muitas faltando várias partes do seu corpo e ela vai lá e cai na piscina, por exemplo, e nada lindamente como se fosse um peixe! Não tem como não chorar. E a gente acaba se perguntando de onde vem tanta gana, tanta dedicação para isso”.

Esporte é força

De acordo com Lika, a questão da deficiência em si já traz uma garra muito grande para a pessoa que tem que sobreviver num meio onde ela talvez seja a “diferente”. O que já faz dela uma pessoa empenhada em ir adiante, enfrentar e superar suas dificuldades. Quando ela entra no esporte, existe um enfrentamento que qualquer outro atleta tem, mas com maior dificuldade, assim como o desejo, a vontade de superação.

A coordenadora menciona que embora vivamos em uma sociedade tomada por tantas questões de estética, é preciso esquecer isso, pois há diferentes maneiras de ver, enfrentar o mundo e que, por achar que todo mundo precisa ser igual, às vezes fechamos portas. Assim, tendo deficiência ou não, somos todos diferentes, seja em valores, formas de ver o mundo, etc.

“E o esporte traz muito isso para a sociedade, a percepção daquele que não tem deficiência da capacidade do que possui. Que isso se aplique em todas as áreas da vida e não só no esporte. No trabalho, quando você assiste a um filme no cinema e pensa em todos, na rua, em um shopping. Ou seja, o mundo precisa se preparar para todas as diferenças”, acentua a coordenadora da Pessoa com Deficiência.

Serviço

 Os interessados ainda podem ser inscrever gratuitamente pela internet pelo link https://forms.gle/xUpLoLHDW5e6TGDP6, ou no dia do evento, no local.