Rezemos

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 03/05/2020
Horário 07:05

Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”*. “Colhamos este momento da pandemia como uma prova para preparar o amanhã de todos. Porque, sem uma visão de conjunto, não haverá futuro para ninguém”.

(Papa Francisco)

Após domingos sem ocupar este espaço, é forçoso reconhecer que não está fácil opinar. Uma sensação de sufocamento parece maior que o ar puro de relações cordatas marcadas por distintas visões de mundo e formas de ver os fatos. A torcida – quase sempre sem critérios razoáveis – assumiu o controle. Numa hora dessa, poderia como o avestruz de desenho animado enterrar a cabeça na terra (ou sair correndo). Veja.

Para dizer que o trabalho do Ministério da Saúde está comprometido, é preciso antes dizer que não há torcida pelo vírus nem pela queda do governo e que não se é inocente (nem indecente). Para dizer que sua excelência ocupante da cadeira presidencial não expressa sentimentos humanitários nem cristãos (atitudes que diz praticar), é preciso antes dizer que não se está filiado a outro partido, não se considera o comunismo como a melhor forma de governo e admitir que não se tinha opção ao PT.

Não está fácil emitir uma opinião. Sobretudo quando se quer apenas contribuir com os debates e não aumentar o fosse divisor entre as pessoas. O homem forte – defensor de ditaduras, torturas e torturadores – que quando sofreu uma facada mostrou quase em tempo real os cortes da cirurgia (até a bolsa de colostomia!), diz-se agora se sentir violado caso tenha que mostrar o relatório do exame para a Covid-19.

O mandatário nacional comentou, em 28 de abril, o fato do número de mortes por Covid-19 no Brasil ter ultrapassado o da China: E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”. Governe! O Brasil não precisa de Messias nem de milagres, mas de reais lideranças. Gente que entende de gente, que gosta de gente, que trabalhe o tempo todo pelo bem-estar das pessoas. O Brasil não precisa de profeta, mas de homens públicos íntegros no sentido mais amplo possível, aberto ao outro, todo outro, capaz de promover concórdia, de catalisar as descargas, às vezes, violentas de uma sociedade ferida. Incendiário, insensível, incautos não são predicados adequados aos líderes que o povo anseia. Muito menos desses que uma vez eleitos perguntem “quer que eu faça o quê?”.

Agora, não basta defender armas ou ser contra o PT e o comunismo. É hora de trabalhar. O ministro da Saúde, Nelson Teich, alertou que logo o Brasil terá 1.000 mortes/dia. “E daí?” “Não sou coveiro”. “Não faço milagres”. Rezemos ao Deus verdadeiro!

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

 

 

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